Discussões sobre Jornalismo e Mercado de Trabalho

2/24/2014 09:52:00 AM

*matéria feita para a disciplina de Comunicação e Cidadania

Por: Francisca Raquel Queiroz Alves Rocha[1]

            A palestra desta quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014, no auditório da Universidade Federal do Cariri- UFCA, abordou o tema “Jornalismo e Mercado de Trabalho”. A banca formada pelos professores Edwin de Carvalho, Alexandre Nunes e Adelaide Gonçalves, através de suas diferentes óticas analisaram e discorreram sobre o tema, sendo em seguida, dado ao público presente, (formado por professores e alunos de diferentes semestres do curso de Comunicação Social) a oportunidade de também opinar e engrandecer tal debate com o seu posicionamento a respeito do tema.

            O professor Edwin começou o seu discurso reforçando qual a missão dos profissionais que se habilitam a fazer jornalismo, missão esta, com foco na “formação de cidadãos comprometidos por um ideal de sociedade”. Em se tratando do mercado de trabalho, o docente advertiu que a Universidade também é um mercado de trabalho que também têm seus princípios excludentes, extraídos também do sistema capitalista vigente em nossa sociedade.

            A “demonização” ou o silêncio gerado por este tema fazem com que os jovens profissionais não estejam cientes do futuro que lhes esperam, e muitas vezes, se decepcionem com a atual realidade. “A Universidade precisa também formar para o mercado de trabalho e enfocar numa formação humanística, que vai além da sala de aula, e assim saberemos que tipo de mercado queremos formar com os tipos de jornalistas que a Universidade forma”, finalizou Edwin.

            Já o professor Alexandre Nunes discursou sob o “Mundo do Trabalho na Contemporaneidade” e de suas principais visões: “a endógena da produção que formam profissionais burocráticos, aqueles que reproduzem o cotidiano sem mediar a realidade posta” e a “visão messiânica de que a profissão teria a capacidade de transformar uma conjuntura social sozinha”. Segundo Alexandre, ambos os profissionais, frutos dessas duas visões, não teriam a capacidade de “enxergar o local onde essa profissão ocupa no mercado de trabalho” e que a saída para tal problemática seria “ver como é a dinâmica do mundo”, marcada pela “inserção e precarização do mercado de trabalho para os jornalistas.”

            Alexandre Nunes faz uma abordagem do contexto histórico dessa crise atual, que pendura desde os anos 70 e “afeta todas as categorias profissionais”. Para o docente “a forma de organização e o próprio capitalismo está em crise” e tais conseqüências dessa crise refletem direta e indiretamente no mercado de trabalho atual e na sociedade como um todo. 

            Finalizando as discussões acima mencionadas, a professora e pesquisadora da história social da imprensa, Adelaide Gonçalves, “ministra” uma palestra marcada pela vivência resgatada de um passado histórico, no qual o “radicalismo popular do século XVIII” dita a nova era de “jornalistas da palavra”, ou seja, “trabalhadores que faziam sua própria imprensa, seu próprio manifesto” ante os receios sociais que os afligiam. O tipógrafo ou “intruso da imprensa” eram “pessoas simples, de profissões simples, de instruções simples”, que por meio de leituras em voz alta ou “leitura em rodízio, conversas e serões familiares” (por volta do século XIX), naquele coletivo, refletiam sob o dado momento social-histórico-político e através “das palavras sentenciosas das esquinas da história” faziam sua própria imprensa e o seu próprio jornalismo, voltado para o bem-social e a verdade crítica e reflexiva, acima de tudo.
            Contudo, o debate deixou impressões nos alunos veteranos, novatos e professores sobre um fazer jornalístico voltado a um novo mercado de trabalho a ser criado a partir das mãos daqueles que hoje clamam sem medo e em voz alta, e ainda por cima, lutam por mudanças no amanhã na construção de “um novo projeto de comunicação social”.



[1] Estudante do 7º semestre do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Cariri­- UFCA.

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