Capítulo 03: A inveja das flores mortas

6/19/2014 12:06:00 PM

Sempre fui uma pessoa, digamos, boba, boazinha... uma criança educada, gentil e inteligente em aspectos relacionados aos estudos... Uma criança que simplesmente gostaria de ser respeitada e compreendida pelos meus colegas de classe... que me valorizassem como pessoa e não pela falta de bens ou beleza que não possuo...

Mesmo que eu mudasse de escola, as pessoas continuavam a ser as mesmas. Sempre me odiavam pelos motivos mais egoístas e idiotas da face da Terra. Eles achavam que eu era simplesmente um patinho feio e desajeitado esnobe, e a maioria dos meus professores, me achavam petulante, enquanto os outros, achavam que eu era uma pessoa digna de pena

As horas que eu passava na minha segunda casa, que era a escola, pode-se dizer que eram infernais. As pessoas eram invejosas, mesquinhas e cruéis demais. Céus, o que eu tinha de tão valioso assim, a ponto de me perseguirem, de me maltratarem?

Tinha dias (e acredite, era todos os dias) que eu desejava ser um fantasminha. Eu olhava para aquele retrato angelical de um santinho na sala de aula e pedia (rogava aos céus): POR HOJE NÃO, DEUS! EU NÃO QUERO QUE ELES ME PERTURBEM!

Não bastava eu terminar minhas preces, para que começassem os insultos, as brincadeiras de mal-gosto, o constrangimento, o sentimento crescente de impotência e aquele bolo na garganta, oriundo da imensa vontade de chorar.

"Parem! Me deixa em paz!"

"Olha, a pobrezinha quer paz... Eu tenho é pena de você. Paz você só vai encontrar quando morrer. E isso não vai acontecer tão cedo. Quem iria substituir esse rostinho amedrontado? Quem iria me socorrer na hora das provas, mesmo que seja obrigada a me ajudar? Quem vai ser a princesa do casal romântico dos horrores senão você, Li?"

Livrai-me Senhor desses pensamentos. Já não achas que fui violada demais? Aqui estou, de corpo e alma entregue a escuridão desse abismo, entregue a única que me compreendeu até hoje: a dor. Como posso pedir que arranques de mim a única companheira, que até no Vale das Sombras da morte forjada por minhas próprias mãos, me acompanha? Não há, Senhor, culpada maior pelo estado de miséria que me encontro, senão eu mesma! Não! Eu quero esquecer!

Ass: Lindsay
 

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