Capítulo 04: Intrigas

6/26/2014 10:45:00 AM

Eu era a filha de um pobre zelador que estudava agora em um colégio de ricaços porque ganhara uma bolsa. Era duro demais, a princípio, acompanhar o ritmo de estudo, mas aos poucos eu fui me acostumando. Ou fingir que isso era o maior problema que eu tinha que enfrentar... Eu estava fingindo muito bem que desta vez, estava me entrosando com meus novos colegas...

"Espero que agora você se dê bem com seus companheiros de classe. Não quero que os mesmos problemas façam você mudar de colégio e eu perder o meu emprego. Eu gostaria, Lindsay, de poder ofertar tudo do bom e do melhor, mas essa é a realidade, meu amor. Desde que sua mãe morreu, eu luto pra continuar de pé e pra manter a gente unidos. Eu prezo por sua educação, porque ela é o único bem que eu posso deixar pra você. E como ele, filha, poderá conquistar os céus!"

Cansaço era a palavra que resumia esse discurso. O problema não era a minha falta de interesse ou de vontade, ou timidez de adentrar e construir vínculos sociais. O problema era que eu não podia confessar a verdade. E isso me matava a cada dia.

Eu não poderia descarregar nos ombros de meu pai, um peso que não era justo carregar. Eu mesmo tinha que achar uma forma de resolver isso. Nem que custasse o bem mais precioso que possuo: MINHA VIDA!

...

Um dia desses na escola, uma colega chamada Carol, veio até mim e pediu meu caderno emprestado, com a desculpa de que não dera para copiar a atividade (nesse tempo não havia celulares e tabletes que com um simples clique, a gente fotografa a lousa toda preenchida por anotações)

"Obrigado por me emprestar, Li. Agora vá lanchar. E cuidado com as bolas de Marx. Pode ser que hoje ela ache uma cara de sonsa no caminho". 

Risos ecoaram e tudo que eu fiz, foi dirigir-me a biblioteca com o meu lanche, me alojado em um espaço. no qual determinei como sendo "a penumbra do esquecimento temporário" Lá, posso fechar meus olhos e a cada mordida que dou em meu sanduíche, me perco em minhas fantasias. Mal suspeito das reais intenções de Carol.

"Sua vadia fingida!" É assim que sou recepcionada na sala de aula, quando entro. Uma carta anônima com um monte de injúrias a uma importante patricinha, havia sido escrita. E a letra era muito idêntica a minha. Puta merda! Eu estava ferrada!

Ass: Lindsay

Ps: Esta sou eu!

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