Capítulo 11: Nem toda flor tem espinho...

8/27/2014 11:09:00 AM

Marx nem sempre foi mal comigo. Quando ele era recém-chegado no colégio, não tinha amigos porque era novo na cidade. E no dia exato em que compareceu as primeiras aulas, teve uma atividade de história em dupla. Como sempre, ninguém queria ser meu par, e pensei que seria melhor desse jeito mesmo. Mas Marx não tinha conhecimento que estar ao meu lado gerava uma má fama. E muito menos a professora que solicitou que tal dupla fosse formada. Fiquei calada esperando que meu silêncio o intimidasse. Porém de nada valeu. Ele se aproximou  de mim e todos os olhares da classe, se voltaram em nós. Ritchie deu uma gargalhada antes de tecer seus comentários estúpidos diários para acabar ainda mais com o meu dia.

"Olha! Temos um novo casal na classe: A fera e o playboy." Por que vocês são tão estúpidos assim? Por que uma aproximação de alguém aparentemente sem nenhuma intensão além de fazer um simples exercício, gera comentários com a finalidade de mandar minha auto-estima para o inferno?

 "Você vai querer ter uma má fama logo agora que chegou, não é mesmo?", falou Hudson, antes de dar um tapa carinhoso nas costas de seu mais novo amiguinho. "Você não sabe o que essa quatro olhos horrorosa é. Parece uma bruxa em forma de minhoca de gente".

"Querido Hudson, acredito que estamos em uma sala de aula e não em um circo. Seus comentários acabam por aqui, ok? Volte e faça seu exercício.", disse a professora Cristina. 

"A senhora acabou de me chamar de palhaço? Foi isso que eu ouvi?", retrucou Hudson.

"Professora, a senhora ofendeu o nosso colega por causa dessa mosca morta?", interviu Wanessa.

"O que essa menina tem de tão importante assim, a ponto de vocês zombarem dela?", falou Marx. E ai começou uma discussão sem fim, sem fundamento algum, com troca de insultos e com a demissão da professora, visto que praticamente a classe toda se uniu a favor de Hudson, afirmando que a mesma havia agredido verbalmente o garoto problemático; outros ficaram em cima do muro, não querendo comprar briga de ninguém. Eu e o Marx nos unimos a favor de Cristina, mas não adiantou de nada. Ai, depois de sua saída, entrou o professor Brandon.

Depois do evento, ficamos bem amigos. Conheci o seu irmão, o Ben. As coisas entre a gente estavam indo bem. Gostávamos de animes, jogos de videogame e rock! Contudo, felicidade de pobre dura pouco... Meus colegas de classe tinham uma influência poderosa na classe onde o pequeno Ben estudava. Logo começaram a persegui-lo. O plano era obrigar Marx a desistir de minha amizade e se aliar a Hudson e sua gangue.

Marx estava se aborrecendo da pressão por estar ao meu lado.. Ele viu o quanto estava perdendo por não desfrutar da amizade e regalias de quem realmente tem o poder. Marx começou a rir das piadas contra mim, a bolar formas de me humilhar, de me atormentar no recreio com seus empurrões e boladas. Enfim, mostrou o lado sombrio de toda alma humana. Uma hora, até as pessoas boas de coração, podem sucumbir a escuridão. E um dia eu ia aprender isso da pior maneira possível.


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