Capítulo 7: Tiro no escuro

2/23/2015 08:46:00 AM

Definitivamente esse não era o meu ambiente. Uma sensação de desconforto fez meu estômago embrulhar, dando voltas e mais voltas. 

"O que foi? Você está bem?", disse Marx, ao perceber que eu estava prestes a desmaiar.

"Preciso ir ao banheiro, ok?" Fiquei minutos e minutos olhando para a minha aparência patética sendo refletido naquele espelho. Eu me sentia um nada envolto em uma disputa de estrelas celestiais. E antes que você me julgue, quando todos os dias você é atormentado com pessoas dizendo que você é feia, você acaba acreditando... Meu brilho há muito tempo fora ofuscado e consumido em cada piada, em cada ofensa, em cada gesto dirigido a mim. Sei... Estou uma pilha de nervos a flor da pele. Eu tinha certeza de que dessa doença, minha alma nunca iria se curar. Um fechar de olhos e um respirar fundo foi tudo que eu fiz antes de ter o maior susto de minha vida: Brandon, quer dizer, o professor Brandon estava lá, me olhando.


Suas mãos gentilmente acariciaram o meu cabelo e aquele toque fatal me fez arrepiar. Eu achava que já conhecia qualquer espécie de sentimento. Mentira... Nunca estive tão próxima dessa sensação que acabara de se apossar de meu corpo.

"Vá embora, garotinha. Ele não é o seu príncipe gótico encantado perfeito..."

"Do que você está falando? Aliás, o que você faz aqui?"

"Ele está armando pra você juntamente com a Wanessa e a Carol. Vá embora! Fique com seu pai. É o melhor que pode fazer. E eu vou cuidar de uma vez por todas desse trio dos infernos!"

"Por que raios você vive se metendo na minha vida? Você invade o banheiro feminino só pra me dizer mentiras! Por que todos estão afim de ferrar com minha felicidade? Eu não mereço isso, professor?"

Ele já não me ouvia. Ele pulou em minha direção ao mesmo tempo que gemia de dor, pondo a mão na cabeça, em seguida. Um calafrio atingiu minha espinha com o grito de terror de Brandon que ecoou naquele recinto. Logo surgiu um corvo nos sobrevoando. Ele olhou para mim e pousou no ombro do professor. Assustada, eu aproveitei e fugi. Mesmo assim, ele segurou o meu pé e o terror se apossou de mim.

"Me deixe em paz!" Ele não disse nada e nem soltou o meu pé. Por que nenhuma outra garota vinha ao banheiro? Eu precisava de ajuda à qualquer custo!

"Eu não vou machucar você, garota! Eu te amo! Me deixe falar com ela, Sigefried!" Isso foi o bastante para mim. Que porra foi essa? A confusão consumia meus pensamentos e tudo que eu fiz foi chutar a cabeça dele. Enfim pude correr, tentando freneticamente encontrar Marx. E me esbarrei na Wanessa. Não podia ter acontecido coisa melhor... 

"Nossa, a Miss Feiura veio receber o seu prêmio esta noite! Que honra, nossa Rainha!" Marx soltou uma gargalhada, e beijou Wanessa bem na minha frente.

"Desculpe, Li, mas você não faz meu tipo. Nunca fez..."

"Você lavou a boca com enxaguante? Não sei que tipo de doença pode ter essa garota imunda e não estou afim de ficar doente..."

Carol e dois rapazes chegaram e me seguraram. Tudo que eu pensei era que Brandon estava certo o tempo todo...


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