Capítulo 14: Jogo de profecias

6/17/2015 11:41:00 AM

E assim começou o ritual, que estava inscrito/entalhado em alguns objetos do clã das águias e foi a tese do PDH do professor de minha falecida esposa, a Cassie. Esse professor conseguiu reuni-los e finalizar sua tradução, publicando um livro com todas as possíveis teorias e profecias haidas, um importante documento histórico.

Isso me levou a pensar, depois de todo o fato consumado, qual era o papel de Érika e Cassie nessa história... Muitas informações estavam expostas, outras renegadas, escondidas e reveladas quando melhor convinha a alguém (tenha certeza de que eu não lucrei nada com essa história).

Voltando ao ritual: o importante era primordial a entidade estar dentro do símbolo da Máscara negra, que estava desenhado debaixo da mesa que reservamos, perto da cadeira onde a suposta Lindsay estava sentada. O símbolo pertencia a um antigo ritual de evocação dos espíritos de xamãs mais poderosos do povo haida para conceder ao "evocador dos mortos", o poder de retirar o que fora dado a Lindsay, ou seja, a vida através do uso da magia do colar da ave negra da morte.

"Sabe o significado do Corvo, Brandon? O real significado? Indica a imprevisibilidade da natureza. Ninguém pode prever seus passos, adivinhar seus desejos, escapar de suas armadilhas. Ele é poderoso demais e astuto também."




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Saudações, Kilstaai, espírito maior do alvorecer,

O oráculo se revelou diante de mim, como a luz rompe as trevas que brotavam no coração de nossa estimada deusa. O resgate de sua alma começou e o fim de nossa eterna lenda já está sendo escrito. Sacrifícios irremediáveis foram pedidos e pessoas inestimáveis foram oferecidas afim de manter o equilíbrio de tudo que permanece oculto. Creio que os meus serviços não serão mais válidos. Devo voltar ao meu povo e rezar ao grande Pai por todas as suas almas.

Sem mais a acrescentar, desejo-lhe que os bons espíritos de luz guie-nos em nossas jornadas.

De sua estimada aluna,

Érika Char.


***
"Essa é a verdadeira mulher que eu quis resgatar das chamas do eterno sofrimento", disse Brandon.

Era a vez da Lady falar. Já ficara calada o bastante: "Que pena a nossa atual situação. Não haverá tempo para compensações. Já nos foram oferecido tempo suficiente e não soubemos aproveitá-lo. Conforme-se com esse companheiro de longa jornada que aqui chega para contemplar a minha morte e o seu nascimento. Que seus olhos sejam os meus a te vigiar na calada da noite. Que teu canto, sinal de mal presságio, seja o canto do nosso amor. Que o toque aveludado de suas penas, aqueça seu corpo... Essa mesma pena acaba de se desprender do meu colar, minha chave do mundo dos mortos, faça você encontrar a liberdade. Tal liberdade, na mente de uma pobre serviçal dos segredos da vida e da morte, agora repousa, na esperança de um dia, possamos novamente nos encontrar".

Brandon apenas riu de sua desgraça antes de me dizer.

"Eu também estou morrendo..."



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