Capítulo 6: A sacerdotisa da solidão

11/07/2015 06:42:00 AM

Os anos hão de passar sorrindo em meu moribundo cadáver
A zombar de tudo que um dia me pertenceu
E a contemplar minha agonia, recitam novas melodias
Como uma marcha funesta a ecoar no infinito

Os anos hão e passar e o sentimento será o mesmo
Uma mistura de frio e abandono moldam o seu nome
Solidão, oh solidão, sombra de meus passos
Solidão, oh solidão, escrava de meus laços
Solidão, oh solidão, caloroso abraço
Solidão, oh solidão, como rosas vermelhas em um vaso

E no altar de anos empenhados em amar
Adormece nos enfeites de preces não audíveis
Na floresta que contempla o teu sacrifício
A sacerdotisa está a divagar
E no altar de anos esperando o seu regresso
Adormece sem nunca ter chegado a ser feliz
Na floresta, teu perpétuo leito te aguarda
Para mais uma noite de solidão!


E estas foram as palavras que retrataram os anos de solidão daquela, cuja beleza e bondade atraíram os olhos do majestoso guerreiro chamado Doimy. Mas nem homens, nem seres mágicos, nem deuses escapam das artimanhas do Destino, que dita os acontecimentos da vida de cada um.

Quem diria que o sacrifício feito para salvar o Reino que tanto ama, a busca pelo equilíbrio na solitude do verde desta floresta, iriam recompensar a alma da criatura mais horrenda deste mundo, cuja a verdadeira beleza embutida em sua essência, na sua bondade, fora esquecida?

Oh, Zilmec! Tu és espelho para os corações desiludidos e traídos, diante daquele que um dia jurou, acima de tudo, amor eterno!

A feiura a devora pouco a pouco
Espelhos quebrados nunca revelarão
A sua verdadeira forma oculta na mágica
Sem direito a contra-poção

A feiura abriga o desejo de esquecer
Espelhos quebrados nunca refletirão
A sua verdadeira forma de amar
Sem direito a ser correspondida

Dorme, dorme, em meu seio acolhedor
Pois a mãe desta floresta, que sou eu
Não renega tal criatura
Dorme, dorme, espere a hora
Que o beijo da noite venha lhe salvar
Não esqueça que um dia
Toda dor irá passar!

Zilmec não aceitava receber a vista de ninguém. Nem todo o seu conhecimento de magia fora suficiente para desfazer tamanho mal. Até que pouco a pouco, o jeito foi aceitar quem era, ao mesmo tempo que a tristeza por não ter Doimy ao seu lado, foi tomando conta de seu coração. E antes que estranhos sentimentos pudessem dominar sua mente, eis que de mansinho, ela vai se despedindo da vida. Sua história para sempre será lembrada na dimensão mágica...

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