Capítulo 15: Quando alcançarei o meu Nirvana?

12/09/2015 06:07:00 AM


Eu estava vagando pelas ruas de Tóquio, completamente sem destino e desnorteada. Eu sentia que a qualquer momento, eu poderei explodir emocionalmente e manifestar um poder além de minha compreensão. Eu pensei que sozinha poderia superar este desafio. Mas eu estava errada. Eu sentia falta de um apoio, de uma orientação.... Foi quando eu fui envolvida por uma náusea forte e cambaleando, entrei em um determinado recinto.

Depois, eu consegui reparar que era um estúdio de tatuagem, aparentemente barra pesada. De lá surgiu uma linda moça de cabelos negros e lisos, e consequentemente, tinha no braço direito várias tatuagens belíssimas de flores. No pescoço, ela tinha uma marca estranha. Não era tatuagem. Era algo místico que não tive como ter certeza, diante de meu atual estado.

-Vamos lá, pessoal! Ajuda ai a garota!, disse a moça tatuada, demonstrando autoridade perante os demais. Um rapaz, que me pareceu ser o seu namorado, me ergueu, enquanto outra garota trazia-me água.

-Você não parece nada bem, estrangeira. O que houve?

De uma certa forma ela me transmitia confiança. Eu poderia jurar que havia uma áurea mágica nela, apesar de sua ignorância diante deste poder.

-Eu acho que você tem problemas maiores do que eu. Sinto um poder no qual você não tem a noção e parece que você precisa aprender quais são os seus limites, para não se prejudicar no futuro, assim como eu estou sentindo tais consequências. Você assim como eu tem uma missão nessa vida. E não pode hesitar quando a hora chegar e tiver que cumprir seu destino.

-Olhe, você é que parece estar confusa. Geralmente eu não gosto de dar conselhos a estranhos, mas acho que vou abrir uma exceção. Eu tinha um pai, sabe? Ele era meu pai, apesar de tudo. E ele me ensinou a conter minha raiva, meus demônios, meus conflitos espirituais. Não foi fácil. Depois que ele morreu, eu perdi o controle... Ninguém aceita a mortalidade. Ninguém está preparado para aprender a amar e aprender a dar adeus. Então resumindo, já que não gosto em um primeiro encontro, de falar de sobre mim... eu acho que você precisa meditar, sabe? Tem um monastério local muito bom. Se você tem ou não família, não importa. Eles te acolhem, de qualquer forma. Te orientam e quando você achar o seu nirvana, vai compreender o seu papel no mundo, aprender a conviver com seus demônios, ai, sim estará bem melhor para encarar a vida. Mas você deverá estar se perguntando: por que eu não faço isso? Bem... faça o que eu digo, mas não faça o que faço.

Aqueles poucos minutos de uma sábia conversa com uma garota aparentemente maluquinha mas muito inteligente e intrigante, fez eu perceber o remédio para minha doença: era espiritual o mal em mim. Eu segui esse conselho, agradecendo aos deuses por ter  colocado aquela jovem em minha vida, e já tendo a certeza de que seu conselho já era uma manifestação energética de seu poder oculto.

(Tempos depois)

Logo após entender parte de meus tormentos e sentir em meu interior que eu era capaz de achar meu equilíbrio, sem contudo, abrir mão de meu poder mágico, eu fui abalada por uma triste notícia que recebi de um Kiminjo (ser mágico de minha terra natal que pode ter a aparência de qualquer animal... quando eu vivi no orfanato aqui, juntamente com meus amigos Makato e Aiada, meu Kiminjo tinha a aparência de um cachorro): o nosso amado Mago Ancião havia morrido.

Então, eu me vi obrigada a interromper minha jornada espiritual, mas grata aos monges que me acolheram durante esses meses. Tive que voltar a Mystic para prestar minhas últimas homenagens a um dos seres mais importantes do nosso reino mágico. Partir com a certeza de que nunca mais retornaria à Terra. Antes disso, deixei um pouco da energia do amor e do bem para todas as pessoas que me acolheram tão bem.


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