Capítulo 16: O funeral

12/10/2015 11:53:00 AM

E agora, a lenda que unia o mundo antigo de Mystic com o novo, estava recebendo as últimas dignas homenagens. A tristeza era o sentimento estampado no rosto de todos aqueles que se aproximavam para depositar junto ao seu corpo, rosas e luzes mágicas. 

Para mim, não haveria mais lágrimas para chorar. Mesmo sendo pouco o tempo de convivência que tivemos, eu aprendi a amá-lo e acima de tudo, tê-lo como um exemplo em minha vida, por mais que eu estivesse desorientada e infelizmente, ter usado magia proibida para encobrir o meu sumiço e fazê-lo concordar com minha ida de Mystic...

Contudo, algo me chamara atenção: a ausência de meus amigos Hélis e Aiada. Posteriormente descobri que eles haviam partido dias antes deste acontecimento fatídico. Mas se eu, em outra dimensão, pude regressar para o sepultamento do mago, porque meus amigos, de uma certa forma, não deram nenhum sinal ou aviso que justificasse suas ausências?

***

Foi um dia cansativo no qual, por alguns instantes, a escuridão pendurou em meu coração. Retornei ao castelo acompanhada de meus pais, que mesmo abalados com a recente perda, puderam notar minha evolução espiritual. 

Ass: Ninska

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Eu não aceito que a perdi. Nunca posso aceitar. Por anos, estive servindo sua sombra, do seu lado, desejando libertá-la e um dia poder ter uma verdadeira relação mãe e filho. Sei que parte da desgraça que abateu sobre nós foi somente cupa de suas escolhas erradas e motivadas por sentimentos duvidosos, mas qual ser caminhou um dia nas trevas até alcançar a luz?

Nos momentos mais aflitos de minha vida, em que meu coração estava inflamado de ira, eu podia enxergar na imensidão de seu olhar, um calor a aquecer minha alma. E nunca tratou-se de uma ilusão arquitetada por Bruxelis. Era algo verdadeiro que só uma mãe e um filho poderiam saber. Não culpo ninguém ao não ser a mim mesmo por não tê-la salvo na batalha final. 

Fui fraco e falhei em minha missão maior (é claro de depois instruir a princesa Saíres no caminho certo da magia  e do poder): salvar minha mãe. Pensei ter forças para suportar tudo isso, mas vejo que só me enganei. Quanto ao meu pai, ele sempre se esforçou para preservar o vazio em mim. Ele tanto quanto eu, sente também saudades e culpa.

Me sinto às vezes um egoísta por pensar somente em minha dor e não perceber o quanto ele está sofrendo também. A batalha contra Bruxelis acabou, mas batalha maior reside em nossos corações que carregam o luto da perda de uma mãe, de uma esposa, um ente mágico...

E para piorar, a nossa fabrux mentora, a senhora Luci, teve uma premonição que me deixou bastante chateado (pra não dizer preocupado): parece que meu destino é um verdadeiro enigma mesmo.... estou prestes a me tornar um servo do Destruidor...ou o próprio Destruidor!

Ass: Hélis


Fim! Por enquanto... Aguardem: janeiro de 2016, o segundo diário da princesa Saíres: Jogo dos Mortos :)


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