Capítulo 1: Jogo dos mortos- parte 1

1/05/2016 06:09:00 AM

Há uma confusão de sentimentos em nossos corações. Depois da nossa batalha e de nossa volta do mundo dos mortos, nossos sentimentos estão mais selvagens, mais intensos. Talvez essa seja a verdadeira razão de todos estarmos em busca de um baluarte confiável para o equilíbrio de nossas forças mágicas.

Há algo de errado conosco, algo irreal que insiste em ser claramente real em nossas vidas. Foi o que me disse Saíres. O grande problema é que me tornei confidente da pessoa que mais amo, mas que seu amor pertence a outra, cujo sentimento vai conflituar com o de meu irmão...

Traduzindo: eu amo o Hélis; Hélis ama Saíres; Makato (meu irmão) ama Saíres; e Saíres ama os dois! Confuso, né?


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Hélis me confessou durante a nossa viagem, motivada pela sua recente descoberta, que não se considerava digno do amor de Saíres. Em outra ocasião, eu até poderia ter ficado feliz com essa declaração. Porém, devido as reais circunstâncias, eu preferia que o seu amor fosse concretizado, independente de meu coração sair ou não machucado.

Minha mãe, Luci, uma autêntica fabrux, teve uma premonição horrível, na qual preferiu compartilhar com meu amigo, sem revelar para as demais pessoas, afinal, era algo muito pessoal:

"Hélis, eu lamento muito. Você já sofreu o suficiente. e eu acredito que é a hora de você ser feliz. Mas você precisa saber do que eu vi..."

"Assim a senhora me assusta..."

"Provavelmente você será um servo do Destruidor, ou seja, da Morte. Esse é o seu real destino. As forças ocultas virão buscá-lo no cair da noite. E não como dizer simplesmente 'não'. Sabe que isso faz parte do equilíbrio, não é? Alguns devem se sacrificar ainda mais pelo bem maior, para que tudo ainda continue a transcorrer naturalmente no universo mágico."

Por mais que as palavras soassem reconfortante, Hèlis compreendeu a gravidade da situação. Ele era orgulhoso demais para pedir ajudar a alguém. E eu não iria deixá-lo partir, rumo ao seu destino, sem estar ao seu lado pela última vez. Hélis aproveitou o momento da ausência da princesa Saíres, que partira para seu retiro espiritual na Terra e foi embora. E não haveria nenhuma palavra, nenhuma força, nenhuma magia que me fizesse desistir e estar junto dele.

"Obrigado, Luci. Eu já tinha ouvido esse chamado do Destruidor há algum tempo, contudo me neguei a acreditar, pelo fato de que eu estava em outra batalha espiritual mais forte do que isso. Acho que agora estou preparado, por mais cruel que seja o meu destino, a minha vida. Peço que não conte nada aos meus amigos... Um dia, eles saberão o que me tornei. Não importa se será amanhã, daqui a mil anos.... A verdade sempre vai aparecer, por mais obscura e incompreensível que seja."

"E ainda tem mais: eu serei a primeira pessoa a quem você usará o seu poder misericordioso, poupando-me do sofrimento terreno". 

Saber que Luci seria levada pelas garras da morte de Hélis, o fez estremecer mais ainda.

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Eu estive ali escondida, em lágrimas e em tristeza, a ouvir as palavras de meu amado amigo e as cruéis profecias pronunciadas pela minha mãe. Desde que ele partira, não perdi os olhos dele, nem por um segundo.

"O que você está fazendo aqui, Aiada? Como soube que eu estaria aqui, rumado a um estrada desconhecida?"

"Você apenas não tem escolha, Hélis. Eu vou com você quer queira ou não!"

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