Ser ou não ser? O que mudou em mim, durante a experiência com o curso de Jornalismo

1/24/2016 09:43:00 AM


Eu estou devendo este post ao Gabriel Constantino que pediu para que eu narrasse um pouco da minha experiência com o curso de jornalismo. Tenho certeza de que há muitos blogueiros desejosos por optar este curso, e adquirir mais conhecimento e visão de mundo além do limite que estamos acostumados a enxergar.

Antes de tudo, começo definindo pra mim, o que é o verdadeiro jornalista: ele deve ser uma pessoa sensível, o vejo como um poeta, cuja pena (ou caneta) registra no papel, um cotidiano esquecido, faces sem nomes, vozes inaudíveis... O verdadeiro jornalista não vê o conhecimento adquirido só mais como um título ou uma oportunidade de achar-se melhor do que os outros. Ele é um ouvinte e m contador de reais histórias; ele é capaz de tornar-se a própria memória individual de um reflexo coletivo e muitas vezes, falho, mas que deve ser lembrada!

É verdade que em qualquer profissão há heróis ou vilões... Tudo é uma questão da escolha que você fará quando tiver o poder em suas mãos!!!

Antes de entrar no curso de jornalismo, eu sempre admirei esta profissão. Mesmo quando eu era criança e desejava ser modelo, o jornalismo sempre foi uma segunda opção presente... Não há como explicar o inexplicável. Você sente-se chamado; é um convite que por mais desafios que a vida possa lhe impor, você habilmente os enfrentam e quando menos pensa, o destino lhe reserva a melhor das surpresas. 

Na infância o que me atraia no jornalismo era a postura ao enfrentar a câmera; a coragem de falar no microfone (eu ainda hoje morro de medo); a maneira como em poucos minutos eles nos dizem coisas importantes, desconhecidas e até inacreditáveis; como devia ser excitante estar nas ruas, frente a frente com as pessoas, colhendo informações necessárias para elaborar o seu fazer jornalistico.

Não sendo hipócrita, mas nunca pensei estar na frente do Jornal Nacional ou trabalhar na Rede Globo, como meus pais pensavam. Acho que a maioria das pessoas só pensam que você é um verdadeiro jornalista se você tiver esse tipo de pseudo-ascensão, não social, mas financeira... Bem deixemos de lado, minhas críticas...

Contudo, por não ter condições de estudar jornalismo em Fortaleza, fiquei na minha terra, Juazeiro do Norte, e tetei vestibular para Direito (duas vezes). Dou graças a Deus por não ter passado, pois acho uma vida bem complicada, apesar das oportunidades... Por fim, fiz Letras, por indicação do meu pai. O curso foi ótimo, apesar de puxado no quesito de leituras. Eu não era muito fã de leituras obrigatórias, e tive que me esforçar para não perder o fim da meada. Quando enfim percebi que não devia levar as coisas da faculdade pelo lado da obrigação e sim da necessidade, eu adquiri a importância e melhor ainda o gosto pela leitura. E quando encontrei o estilo literário ao qual direcionei a minha defesa de graduação, eu finalmente achei o paraíso na Terra.

Compreendi que em muitas coisas que eu fazia, inclusive nos estilos musicais malucos que eu ouvia, eu encontrava alguma referência literária. E logo a literatura viria a fazer parte do que sou hoje... ela é a minha verdadeira alma gêmea, companheira de longas jornadas e futuras batalhas...

Eu sempre gostei de escrever desde pequena. Então esse não foi um grande problema na escola ou na faculdade. Tirando a parte que você tem que fazer inúmeros trabalhos científicos que usam as famosas normas da ABNT e etc, escrever foi moleza! Rsrsr

Posso dizer que o curso de Letras foi uma base fundamental para o próximo passo que eu tomei em minha vida: cursar Jornalismo.

Eu fiz o Enem,,, Eu morria de medo. Fazia anos e anos que eu havia terminado o ensino médio. Eu nunca fui boa em física, química, matemática e biologia. Eu temia não alcançar os pontos suficientes nessas áreas. Mas Deus passou na frente e guiou os meus passos. Entrei pela terceira chamada do SISU, quando já não tinha esperanças...

O universo universitário é bem diferente, senão excitante. Assim como Letras, encontrei ótimos colegas, e inestimáveis amigos! Havia algumas desavenças como outras pessoas que queriam ser mais do que eu, e nessa hora, você não deve deixar a peteca cair: deve acreditar no seu potencial!

Sabemos que há dificuldades ao longo do caminho. Seja por falta de estrutura, ameaça de greve, falta de laboratórios, estradas péssimas, stress, ou simplesmente, pode chegar a hora que você enxerga joguinhos políticos e sociais, nos quais, cada um quer aparecer, ou então você se sente excluído na própria pluralidade que a universidade tanto prega. Enfim, cada um vai tirar as suas conclusões de suas experiências, e assim como as minhas, espero que as positivas brilhem mais que as negativas.

As dificuldades que eu tive em relação ao curso foi em relação a minha imagem. Eu odeio câmeras, microfone, ser o centro das atenções, acho minha voz estridente, e você se pergunta o que raios eu estava fazendo no jornalismo?

Todas as disciplinas teóricas e práticas em relação ao radiojornalismo, fotojornalismo, telejornalismo, jornalismo na internet, designer de notícias, etc, foram interessantes, porque eu tive que vencer os preconceitos que eu mesmo estabeleci sobre mim, sobre o que eu sou: eu tive que falar, escutar minha voz, me ver nos vídeos e isso me fez um pouco menos odiosa com minha imagem, voz, postura, etc.

Contudo, eu sempre me senti atraída pelo impresso: ouvir histórias das fontes, observar, ler, interpretar, denunciar, escrever e reescrever inúmeras vezes... Você se sente como se não soubesse escrever rsrs. No início, a linguagem científica dos trabalhos acadêmicos de letras, persistiam na minha escrita jornalística, e um nada tem a ver com o outro. Até que eu consegui me adaptar e evoluir, foi muita peia! 

Consegui achar o equilíbrio na escrita e pronto! Produzi muita coisa boa e meus colegas também demonstraram sua criatividade íntima que desperta algo a mais no jornalismo. Pulando casos e casos, consegui me graduar e na tese final, juntei as duas coisas que mais amo no mundo: jornalismo e literatura. 

Tenho orgulho de tudo que conquistei até agora e espero conquistar muitas coisas boas e poder compartilhar com vocês. Como dica, deixo alguns importantes livros que todo jornalista ou não deve ler! Creio que conhecimento nunca é demais, não é?

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13. (vendendo meu peixe)
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6 comentários

  1. OLá, Raquel.
    Eu gostei bastante da sua postagem, de ver como foi e está sendo sua experiencia. Desejo muito sucesso. Eu acho que essa é uma profissão que eu nunca daria certo. Sou muito tímida hehe.

    Blog Prefácio

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    1. Eu também comecei bem tímida quanto a questão de imagem e usar microfone, mas aos poucos a gente vai perdendo esse medo. Hahaha obrigado pelas palavras :)

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  2. Estou para começar a cursar o quarto semestre de Jornalismo e lendo seu texto me identifiquei bastante!
    Sempre fui apaixonada pelo impresso também e nunca gostei de aparecer nas câmeras e ser o centro das atenções. Uma vez me disseram que eu estava me desafiando, pois sou muito tímida.

    Acho que devemos nos desafiar e sair um pouco da nossa zona de conforto!
    Amei o texto e já vou anotar as suas dicas de livros <3

    Beijos invernode1996.blogspot.com.br

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    1. Obrigado. Desejo boa pra vc também! Com certeza temos que aceitar esses desafios que fazem a gente amadurecer e crescer :)

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  3. Muito obrigado por fazer esse post, eu gosto muito de saber como é o curso de jornalismo, pois é o curso que eu quero fazer. Eu super admiro esses jornalistas que podem estar com os nervos a flor da pele, mas conseguem passar a informação adiante independente de qualquer coisa. Já favoritei o post, para não me esquecer da lista de livros, que vou dar uma procurada por aí.

    Abraços!
    Uma Leitura Qualquer

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    Respostas
    1. Muito obrigado você! Sinta-se a vontade para pedir qualquer ajuda ou esclarecimento a respeito da vida de um jornalista. ;)

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