Capítulo 7: Visita

4/23/2016 09:44:00 AM

Você tem visita. Pelo menos, se arrume. Você deve estar com uma cara péssima, menina!” Minha mãe invadiu o meu quarto, que estava destrancado.

            “Visita? Quem é?”

            “Um tal de policial Lin. Ele trabalha com seu pai. Vai logo se arrumar, que por enquanto eu fico fazendo companhia a ele.” Levei um baita susto. O que Lin queria comigo? Por que estava aqui? Minha cara estava super vermelha de vergonha. Escovei meus dentes, lavei meu rosto e peguei meus óculos reserva. Eu sempre fui um pouco precavida: quem tem dois, tem um, não é? Mas eu estava um desastre! Eu nunca me senti tão feia como hoje. E pra incrementar ainda mais o visual, meu cabelo estava super armado. Fiz um rabo de cavalo, coloquei um pouco de gel para controlar os fios revoltosos de sempre. Vesti um vestido azul-marinho, coloquei uma sandália básica e desci. Minha cara de sono e preguiça foi recepcionante.

            “Olá, senhor Lin.”

            “Obrigado pela companhia, senhora Kurts. E me desculpe o incômodo.”

            “Não se preocupe, querido... Bem, fiquem à vontade, ok?” Eu estava tão sem graça... Nunca, durante esses 16 anos de vida, uma pessoa, principalmente um homem, tinha vindo me visitar. E mal tínhamos nos conhecido, quer dizer, só foi um esbarrão e um super mico na delegacia. Não sabia o porquê dessa visita, mas eu desejava do fundo do meu coração que ele fosse embora. Lin era bonitinho. Ele tinha aproximadamente 1,86 de altura, 21 anos, pele branca, cabelos loiros e olhos negros, além de um excelente porte físico, quer dizer, os músculos bem distribuídos, que faziam qualquer mulher se derreter em seus braços. E para completar, trajado com o seu uniforme de policial, era um sonho de consumo. Mas eu não me sentia à vontade... Eu já estava acostumada com todos os olhares voltados para a Tessy e com a solidão olhando para mim, que era difícil de aceitar que alguém se interessasse por uma pessoa tão ‘sem sal’ como eu. Me sentei o mais distante possível e quase desmaiei, quando reparei o que ele segurava nas mãos: um buquê de rosas brancas.

            “Pra você. Espero que esteja bem.” Finalmente, depois de dez minutos de silêncio, um sem coragem de encarar o outro, foi que ele tomou a iniciativa de falar. Eu me levantei e fui receber as rosas. Rapidamente peguei-as, coloquei em um jarrinho perto da televisão e voltei para o mesmo lugar. Minha mãe acabara de chegar, com um sorriso estampado na cara.

            “Você é o nosso convidado para o almoço.”

            “Eu ficaria honrado, senhora, porém o dever me chama. Só vim fazer uma visitinha rápida.”
            “Tudo bem. Mas da próxima vez, você não escapa. Venha no final de semana, ok?”

            “Certo, eu me lembrarei disso.”

            “Senhorita Ávila, melhoras...” Ele me abarcou fortemente, antes que eu pudesse escapar de tal momento e depois foi embora. Quando ele estava prestes a sair, Tessy chegou da escola. Ela me viu na porta e soltou uma gargalhada alta.

            “Nossa, Ávila! Você tá direitinho um espantalho. Mãe, a senhora não viu isso? Ela na certa assustou o coitado do policial bonitinho com essa feiura.”

            “Não fale assim de sua irmã. Tudo bem, ela é desajeitada mesmo, mas meça suas palavras.” Não seria melhor minha mãe ter enfiado uma faca em meu peito ou ter me dado um tiro logo?

            “Não precisa me defender. Coloque mais lenha na fogueira e queime a bruxa.” Eu fiquei super envergonhada, porque provavelmente Lin ouviu tudo. Ele fingiu que nada havia acontecido, acenou para nós e foi embora. Eu nunca mais queria me encontrar com ele. Eu nunca mais queria sair do meu mundo. Eu queria morrer enterrada nele. Por mais que minha barriga roncasse de fome, eu não queria admitir isso. A fome era o menos importante. Eu desejava, apenas, dormir eternamente e nunca mais acordar.


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