Capítulo 4: Ela perdeu a chuva...

6/03/2016 09:36:00 AM

Seria apenas um desvio para fugir da entendiante rotina, pensou Justine. Na verdade, era uma manhã como outra qualquer, com o devido fluxo de obrigações matinais a serem cumpridas, que abrangiam desde acordar, executar atividades relacionadas à hábitos de higiene, limpeza e domésticos, para em seguida, poder dar continuidade aos seus sonhados estudos. Quase todos os dias Justine gostava de ir a casa de sua amiga Carmilla, para que juntas pudessem encarar mais um dia de suas vidas.

Na verdade, Carmilla sempre fora seu anjo. Era uma moça dotada de uma coragem e ao mesmo tempo sensualidade, que chegava a causar arrepios em Justine. Debaixo de suas asas, Justine sentia-se pronta para desbravar o mundo, e caso caísse em queda livre de seu céu, sabia que podia contar com a ajuda de seu anjo guardião... Que sonho, Justine... Como Anjos poderiam serem condenados a viver acorrentados e escravizados por "ele"?


Contudo, ela decidiu caminhar por outras terras. O motivo até agora ela não entendeu de tamanha mudança metódica das atividades daquele dia. E foi no jardim de flores vermelhas que o sentimento rubro despertou-lhe um sinal pelo corpo, assim que viu o jovem cavalheiro à sua frente. Não era preciso dizer que a timidez era um fluxo fácil de sentir percorrendo os espaços. A primeira reação foi o desvio do olhar para o nada. E quando o nada tornou-se tão sem sentido, o certo fora procurar os olhares, um do outro, novamente. Aquela onda elétrica poderia produzir como resultado qualquer coisa em Justine. Mas o que se sobressaiu foi o sorriso.

"Não fique parada, jovem bela! Por favor, aceite o convite de seu mero servo para um chá!". Logo Justine estaria dividido muito mais do que um chá, muito mais do que tinha e do que poderia imaginar... Adentrar naquele recinto motivada por um prazeroso impulso repentino de curiosidade, talvez tenha sido o seu pior erro. Mas Justine perdeu de ver o sinal dos céus, um alerta para as dores futuras que iriam preencher o coração: uma chuva sem limites e oriunda do nada que Justine outrora estava  imersa, acabara de lavar a terra dos desiludidos...




Chuva de Abril

Como se sente quando tudo com que está contando se desfaz?
Todo vento pelo qual você passou, uma tempestade.
Todo verão que você presenciou foi preenchido com chuvas de abril
Isso não é fácil, você não entende?

A sorte sorri pra você
Você não está vendo, cavando aquele buraco profundo!
A sorte sorri pra você
Você não está vendo, crie seu próprio destino!

Conte suas bençãos e prepare-se para mudar seu ponto de vista
Todos esses dias que você perdeu esperando não voltarão pra você
Jogue fora todos os vidros que tornaram seu mundo negro e cinza
Isso não é fácil, você não entende?

A sorte sorri pra você
Você não está vendo, cavando aquele buraco profundo!
A sorte sorri pra você
Você não está vendo, crie seu próprio destino!

Continua chovendo... porque nós estamos cegos
Continua chovendo... porque nós estamos cansados
Continua chovendo... porque não enxergamos o caminho da sorte
Continua chovendo... porque nós estamos cegos
Continua chovendo... porque nós estamos cansados

A sorte sorri pra você
Você não está vendo, cavando aquele buraco profundo!
A sorte sorri pra você
Você não está vendo, crie seu próprio destino!

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