#Tag Não somos manés desocupados por jogar Pokémon Go, caro jornalista...

8/05/2016 10:21:00 AM



Datena disse que quem está jogando não passa de um "poketrouxa", "mané" e "desocupado". "Onde já se viu perder tempo com isso? Isso é uma babaquice que não tem tamanho"

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Começo o meu texto dizendo que não sou desocupada. Sou estudante, em busca de um trabalho e tenho as ocupações de qualquer cidadão. E acredito também que eu possa escolher como eu gostaria de gastar meu pouco tempo de lazer: se é escrevendo, lendo ou jogando, não é da sua conta caro colega jornalista.

É fato que a febre Pokémon Go está tomando de conta do Brasil e se espalhando de forma assustadora, como sempre acontece com grandes jogos que nunca foram motivo de tanta crítica e discriminação como está sendo o referido jogo. Me lembro da época que os japoneses  lançaram o famoso Tamagotchi. Só faltaram dizer que era coisa do demônio, do Anti-Cristo, dos Illuminati, que era o Apocalipse do mundo, enfim...

Muitas pessoas, independente da idade, condição social, sexual, religiosa, vivenciam mais uma vez as lembranças da época de sua juventude (que com certeza não foi nada fácil, vista a condição pela qual muitos brasileiros ainda vivem, e cuja a válvula de escape- até para os problemas aos quais eram incompreendidos devido a sua idade- foram tais desenhos e animes), evidenciados na proposta do aplicativo que faz de cada um de nós, um "caçador de Pokémons".
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É claro que a Equipe Rocket está sempre pronta para roubar seu Pokémon, disfarçada de criminosos da vida real (especialmente os criminosos brasileiros que sabem o quanto o crime em nosso país compensa) que estão de olho nas pessoas, que na ânsia de capturar um Pokémon, esquecem o país que vivemos: uma país cheio de corrupções, violência, drogas, hipocrisia, de guerras urbanas (polícia x o crime organizado), "rombos" na educação e na saúde (e os manés desocupados que fazem isso com certeza não são jogadores de Pokémon Go... são pessoas bem instruídas e "engravatadas", que nós elegemos para nos representar) e agora, propenso a ideias terroristas (é ai onde residem outros verdadeiros manés desocupados). 
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Como se não bastasse tais problemas, os "jogadores" de Pokémon Go estão sendo rotulados por parte de nossa querida mídia e demais setores da sociedade (jamais dizendo "todos" e sim uma "parte deles"), de alienados e "manés desocupados", dentre outros carinhosos apelidos depreciativos, palavras essas proferidas por bocas de mentes hipócritas, (que louvam por exemplo os Jogos Olímpicos, sabendo o "rombo" desviado de investimentos mais importantes em nosso país ou na omissão de setores sociais, indivíduos e instâncias que se calam diante das mais variadas formas de corrupção, mal este que alimenta outros males sociais). Hipócritas, sim, pois criticam pessoas que possuem uma vida também: eles tem família, amigos, responsabilidades (educacionais, trabalhísticas, etc), deveres (de pagar absurdos impostos, de viver trancados em casa com medo de ações criminosas, dentre outros) e direitos, no qual inclui o lazer, que neste caso pode ser o simples fato de jogar Pokémon Go. E qual o problema nisso, caro jornalista?

Sabemos a diferença que reside na dosagem do remédio para o veneno. Sabemos que não há "Matrix" maior do que esta vida em um mundo cada vez mais "desmantelado" e que tenho certeza de que o jogo não contribuiu para a construção de um mundo tão mesquinho e indigno com as pessoas que realmente lutam diariamente para sobreviver.


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