Capítulo 2: O nascimento de Sahui- parte 1

11/04/2016 07:08:00 AM

A minha história primeiro começa por volta de 1000 anos atrás, em um reino distante da Terra chamado de “Tolios”, um lugar semelhante às terras dos contos de fadas. Este reino era governado pela Deusa-Mãe, que em um certo dia, dá luz a gêmeos: um foi chamado de Elemen  e a outra de Deusa da Terra. Por ter sido um mau filho para sua mãe, foi chamado pelos seus seguidores de Chaos, que altamente dominado pela ganância de poder, rouba da Caverna da Solidão a flecha dourada, um objeto sagrado que foi feito pela Deusa-Mãe. Tal artefato tem o poder de tirar a energia vital do mais poderoso inimigo que ousasse tentar destruir Tolios.

            Fingindo arrependimento, diante das constates desavenças com sua mãe, Chaos insiste em encontra-se com a sua genitora com a finalidade de estabelecer uma aliança de paz. E quando viu a oportunidade certa, lançou a flecha no peito de sua mãe, porém, a Deusa da Terra atravessa e se posiciona na frente da flecha. Mas já é tarde demais: o artefato consegue atravessar o peito das duas deusas. Dando seus últimos suspiros, mãe e filha lançam uma magia em Chaos fazendo com que ele caia em um sono eterno. Logo após o evento fatídico, as duas deusas morrem e rapidamente os servos de Chaos, que assistiram a tudo, recolhem o corpo do mestre. No final, todos pensam que mãe e filhos morreram naquele dia.

            Nossa! Haja fôlego e emoção diante de tantos acontecimentos em poucos parágrafos...

Mil anos depois do fato acontecido, o novo rei de Tolios chamado Minos, se casa com Shiara. O sacerdote do templo da Deusa-Mãe, Mallaré, entrega a nova rainha um lindo presente: um colar feito com as pedras mais valiosas de Tolios.

Todas as pessoas comemoram e compartilham a felicidade do rei e da rainha Eu tento imaginar essa situação mágica na vida de alguém: o casamento e a certeza de que finalmente, você dividirá sua vida ao lado de sua verdadeira alma gêmea... Bem, depois de um certo tempo, o sacerdote Mallaré vai até o rei dizer-lhes que a noite contará para todo o povo de Tolios algo que mudará completamente a vida de cada um deles... Não preciso dizer que a curiosidade, como ácido, ficou a corroer o pensamento de todos que ouviam tais palavras proferidas.

E o tempo passa mais rápido que o de costume e o povo já está aglomerado em frente ao castelo Central, aguardando o pronunciamento do sacerdote. Enfim a hora chega e o rei demonstra-se apreensivo também com tal notícia. Mallaré então pronuncia:

“Povo de Tolios, recolhendo as escrituras antigas do templo da nossa Deusa-Mãe e de vossos filhos, encontrei entre os vestígios a seguinte profecia que foi escrita pelos antigos sacerdotes, mas não teve muito valor por eles não ter conseguido provar que Chaos estava vivo: depois de mil anos, repito este terrível nome sinônimo de destruição, medo e mal, entretanto, temos que nos alertar contra o perigo. Nascerá na noite das 3 luas negras, quando o 5º sol ficará à frente delas, a reencarnação de Chaos, no qual será fácil de ser reconhecida: nascerá com a tatuagem negra, uma espécie de sinal de alerta proporcionado por nossa Deusa-Mãe para que não deixemos este mal crescer entre nós. Fiquem em alerta povo de Tolios!”

O pânico resplandece no rosto de todos que ouvem atentamente o presságio. E acho que foi o casamento mais “sem graça” do mundo... Esse sacerdote não poderia ter escolhido outra ocasião para proferir o medo?
O tempo transcorre naturalmente (aproximadamente dez meses depois do anúncio da profecia), contudo o alerta mantém o povo em estado de medo e ansiedade quanto aos futuros nascimentos.

Em seu castelo, a rainha Shiara, entre dores e gritos, dá a luz a uma criança, e com palavras doces e um ar de felicidade plena, diz ao rei:

            “Rei Minos, esta é tua filha, deve amá-la e protegê-la de todo mal. Seu nome será Sahui.”

            Essas palavras foram interrompidas por um único e logo suspiro de pesar. Shiara era nada mais e nada menos que minha mãe. Logo após olhar para o meu rosto, ela morreu. Essa recordação eu guardo até hoje, bem como o semblante de meu pai, o rei Minos, ao ver a morte de minha mãe: um mister de tristeza e revolta abateu em seu espírito.

Em seguida, meu pai vai ao encontro de seu irmão mais novo chamado Kasuro e o encontra brincando comigo no quarto. Desde aquele tempo havia um cordão mágico invisível que me uniria a ele por toda a vida. Ele adorava, em poucos instantes, parar e ficar analisando o meu rosto. Ele transbordava admiração e ao mesmo tempo respeito. Creio que essa admiração durou pouco tempo...  Kasuro percebeu algo terrível em mim ao tirar o pano em volta do meu pescoço: a marca da profecia ou como o sacerdote anunciara “a tatuagem da chave negra”, algo que na certa minha mãe tentou esconder durante seu pouquíssimo tempo de vida.

Foi nesse exato momento que o rei entrara no recinto e flagrou tal cena, encaminhando-se a procura do seu sacerdote:
                                                                         
 “Mallaré, eu não sei qual é o motivo para este tamanho castigo! Como se não bastasse a vida de minha amada esposa, agora acabo de saber que minha filha é a reencarnação de Chaos. É com muita dor e tristeza que eu digo que você deverá fazer o ritual de morte. Não posso deixa-la viver nem um só dia!” 


Eu senti o corpo de meu pai se estremecer com essas palavras, eu ouvi o ritmo de seu coração se acelerar, eu vi a dor estampada em seu olhar. Me lembro de tudo isso, apesar de não estar naquele recinto... E o que mais me marcou, sem sombra de dúvida, fora a briga de Kasuro com meu pai acerca do ritual de minha morte... 

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