Capítulo 4: Honras ao Mestre- parte 1

1/03/2017 05:49:00 AM

“Se não encontrarmos esta criança até os 15 anos, o espírito de Chaos dominará o corpo dela e logo levará Tolios à destruição total.” Tais palavras proferidas pelo sacerdote amedrontaram ainda mais o espírito do rei.



            Em um lugar desconhecido por mim, que era chamado de Terra, um grande espadachim Mr.Ninkal, nota um fato estranho atrás do Templo do Buda: um raio imenso atravessa todo o local, de um canto ao outro, chamando a atenção do mestre que caminhava como se estivesse sendo instruído por alguém a percorrer aquele espaço, sendo guiando até mim. Espantado, o mestre me toma em seus braços acolhedores, pega o medalhão e tenta ler o bilhete escrito por Kasuro, porém a linguagem é completamente desconhecida.

            “Pequena criança, quem teve a coragem de abandonar uma criatura tão pequenina como você? E o que este bilhete significa? Estes códigos são completamente indecifráveis. Verei se na minha biblioteca tenho algo que se pareça com esse idioma.”

            Ele caminha de volta a sua academia de artes marciais, e ao chegar prepara uma refeição para mim. Eu chorava demais. Meu choro poderia ser de fome, tristeza, solidão, medo... O que me lembro é que dormir profundamente e nem percebi que um olhar curioso de uma menina me observava do canto da porta semiaberta. Enquanto isso, o mestre observa curioso o idioma do bilhete.

“O que isso significa?”, perguntava insistentemente sem obter resposta alguma, a não ser o uivo de ventos que atravessavam a janela. De repente, Ninkal adormece e sonha com um rapaz me chamando de Sahui. E, esse nome fica fixo em sua mente a noite inteira...

Assim que acordou, Ninkal passou no meu quarto, e viu que eu ainda continuava adormecida. Seguindo até o quarto de sua filha, que se chama Selene, ele percebe um choro raivoso...

“Quem é aquela menina? O que ela faz aqui?”

“Porque você está assim com tanta raiva?”

“Eu quero saber por que você não falou comigo ontem?”

“Minha querida, me acompanhe.” Ele pegou em sua mão e caminhou até o meu quarto. “Essa é sua nova irmã! O nome dela é Sahui. Eu a encontrei sozinha perto do templo do Buda e a trouxe aqui. Agora Selene, cuide dela porque agora eu tenho uma aula e acredito que os meus discípulos estejam ansiosos nesta hora.”

“Ok. Mas você promete uma coisa? Que sempre vai me amar, que essa desconhecida nunca ocupará o meu espaço em seu coração?” As palavras saíram como um soluço de dor.

“Você e ela terão espaços definidos em meu coração!” E antes de sair, o meu pai adotivo, beija a testa de minha nova irmã.  
                                
Passaram-se muitos dias desde então, porém Selene cada vez mais sentia ciúme da relação entre eu e o mestre Ninkal. Ela um dia chegou a desabafar ao seu amigo de escola, um garoto chamado Dimmy a respeito desse momento de sua vida, que com certeza mudara drasticamente:

            “Desde que essa menina chegou aqui em casa, meu pai não desgruda dela nem um só minuto! Ele não liga mais pra mim. Além disso, ele vai treinar e me deixa como babá daquela bebê chorona!” Dimmy olhou para mim e sorriu. Ele era uma pessoa bastante simpática, além de ser o melhor amigo dela. Ele pensou nas palavras certas para responder aquele questionamento:

“Selene, você já cresceu, você tem 7 anos e não precisa de tantos cuidados como um bebê. Do mesmo jeito que ele cuidou de você, ele agora cuida dela.” Realmente Selene era uma pessoa difícil de ser convencida do contrário, mas conforme o tempo passava, Selene começou a mudar de ideia a meu respeito, e fomos nos tornando verdadeiras irmãs.

            Dois anos se passaram desde o momento em que eu cheguei a Terra. Eu já estava com 2 anos de idade, Selene com 9 e Dimmy com 10. Um dia, enquanto minha irmã Selene estava voltando da escola, ela encontrou mestre Ninkal desmaiado na sala. A primeira reação natural dela foi gritar... Selene gritava feito uma louca, pedindo ajuda. Logo, alguns vizinhos vendo o ocorrido, não hesitaram de ligar para a ambulância, que chegou rapidamente e fez todos os procedimentos possíveis, levando o meu pai, em seguida, para o Hospital Central de Tóquio. Uma senhora cujo nome não me recordo, ficou cuidando de mim, enquanto Selene, seu amigo Dimmy e alguns discípulos da Academia do Dragão Renascente passaram a noite no hospital.

            Os dias foram passando e Ninkal piorava. Os médicos não sabiam que doença estava o matando pouco a pouco, e muito menos, que tipos de medicamentos poderiam administrar para um melhor resultado diante do estado crítico de saúde de meu pai. De repente, Ninkal acorda.

“Selene, filha...”

“Pai, o que foi? Você está bem?”

“Me escute, Selene: Você foi uma boa filha, apesar desse seu gênio! Você e Sahui são pessoas especiais. São carne e unha, corpo e alma, às vezes água e fogo. Não é a toa que esses sinais em seu corpo as unem.” Ele olha para Selene, que esconde debaixo da gola da blusa, bem ao redor de seu pescoço, alguma espécie de tatuagem desde a nascença, quase semelhante a minha. “Você foi entregue a mim por pessoas desconhecidas, que te renegaram por você ter nascido com este sinal. Assim aconteceu com Sahui. Por não entenderem o porquê dela ter nascido com esta marca, com certeza também a abandonaram.”

“Pai, poupe suas energias...” Selene interrompe as palavras dele, preocupada com o seu estado de saúde do que realmente tentar encaixar uma peça do quebra-cabeças de sua própria história. “Eu vou chamar os médicos.”

“Não! Por favor, me escute. Eu não tenho muito tempo: quando você voltar para casa, vá até meu quarto, abra a última gaveta do armário à sua esquerda e pegue uma caixa amarela. Nela tem um presente especial que é de Sahui. Entrega a sua irmã quando ela fizer 15 anos. Você cuidará dela assim como eu cuidei de você. Promete a mim, promet...aaa...” As palavras de Ninkal começaram a transformar-se em suspiros, a medida também que os olhos dele foram se fechando. Eu não gostaria de estar no lugar de Selene, até porque sei que tipo de dor se apossa da gente, pois experimentei essa dor da pior forma possível, ao ocasionar a morte de minha mãe em meu nascimento.

Selene permaneceu no canto da cama imóvel, até que começou a gritar chamando o médico, ao perceber que nosso pai adotivo não se mexia mais. Os médicos entraram, e pediram para que Selene deixasse aquele recinto, mas já era tarde demais. Não tinha mais nada que pudesse ser feito para reverter à situação: mestre Ninkal morreu. Uma onda de dor nos envolveu, como um abraço mortal de uma serpente que esteve nos observando durante muito tempo, só esperando a hora certa de dar o bote.


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