Capítulo 9: Ela perdeu a vida...

1/14/2017 09:18:00 AM

Meu coração estava com as batidas finais de um ritual funesto que se aproximava na última noite de minha vida e eu ainda não havia descoberto o porquê. A linha atemporal destas folhas nada explicam o que eu vivi, quem eu sou, quem foram meus amigos, inimigos, amores, sonhos e horrores. Só sei que hoje é a marca violenta de meu último respirar nesse calabouços de mentiras que não cabem mais nestas velhas folhas...

Meu coração estava tão distante e consumido de ódio que eu não pude ouvir você chegar, mesmos seus passos ainda sendo acerelados e barulhentos, suas palavras fortes e persistentes a me chamar, a me ordenar que abrisse os olhos e retornasse para esta vida cruel. Essas mesmas palavras ecoam ainda em mim...

Meu coração estava ferido, e cujo o rancor, uma das armas pela qual tiraram minha vida, gerou questionamentos sobre a razão de minha própria existência, o significado da repetição cármica da insistência de que era melhor permanecer sozinha, isolada, com o núcleo em chamas, o pulso dilacerado, as lágrimas corrosivas, o corpo devorado pela miséria de simplesmente aproveitar este prazeroso e doloroso estar só.

"Mentirosa!"

Dizia a mim mesma...

Do que adiantava esse fingimento existencial e sem razões? Permita-me, Senhor, que esta última noite de minha vida seja repleta por uma calmaria sombria, que conduza-me diretamente ao sono mais profundo, onde eu possa matar de uma vez por todas essa agonia, ser iludida com as glórias e alegrias ao ser dona de um mundo egoisticamente meu!

Quero dedicar minha eternidade a passar hora caçando as mais lindas borboletas que voam este céu dourado, plantando todo o amor pelo qual foi maculado pela tristeza, e tendo a certeza de que só por este breve instante de infinitude, esta dor que rasga o meu peito não vai vencer!

Na Terra, destruíram tudo pelo qual eu ousei lutar. Já não tenho mais nome ou dignidade. Já não tenho mais nada do que barganhar, do que esbanjar,..

São só mentiras e mais mentiras...

Justine...

Minha doce Justine....

Dim days of dolor, by Sirenia

Congelada no momento
Parece que o tempo está parado
Esta vida se sente como uma pílula de cianureto
O nascer do sol, uma nova manhã
É o mesmo contenda, dia diferente
O ceifador me encontra na porta

Estou apenas mal vivo
Eu não sei se eu vou sobreviver
No entanto, outro dia, uma outra maneira de desaparecer e se deteriorar
Eu tenho perdido minha mente
Eu fui caindo muito atrás
Eu sou um sobrevivente perdido, andando pelo fogo
Mas a força está dando

Quebrada por este momento
Parece que eu perdi a vontade
A vontade de continuar ainda mais longe
O pôr do sol, a escuridão caindo
Tudo termina exatamente onde começa
Eu oro por perdão pelos meus pecados

Você pode ver através do fogo
Você pode ver através da chuva
Um você anda através das chamas
Todos nós tornaram-se loucos
É esta a minha pira funerária
Queima-se brilhantemente e em vão
Estranhos sem rosto, sem nomes
Te persegue uma e outra vez

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