#Tag 12 meses de Poe- ano II- (abril)

4/26/2017 09:20:00 AM

Olá amigos. No mês de hoje, de acordo com o calendário do projeto da Anna Costa trataremos da poesia Alone e do conto Hans Pfaall. Contudo adianto que não teremos resenha do poema Alone, visto que ano passado eu tratei dela, quando a proposta original só abordava contos e eu mesclei a poesias.

Poesia Alone (resenha)

Conto: A AVENTURA SEM PARALELO DE UM TAL HANS PFAALL, é do gênero de ficção científica feito por Poe e publicado em sua coletânea de contos Histórias Extraordinárias (1833-1845).

"Além disto, há vários outros textos satíricos, de humor, enigmáticos (como “O Escaravelho de Ouro”) e profundamente metafísicos. Edgar Allan Poe é considerado como um dos precursores da Ficção Científica, por causa de contos como “O Embuste do Balão”, “A Aventura sem par de um tal Hans Pfaall”. Poe é também considerado como o primeiro autor de ficção policial, ao conceber o antológico personagem Auguste Dupin. Tornou-se um ícone da literatura de Terror e Gótica". http://blogdoescritor.oficinaeditora.com/2009/


A história é sobre Hans Pfaall e sua viagem rumo à Lua em um balão. Ele era morador da cidade de Roterdão. (Na época do conto fazia pouco tempo que o Balão de ar tinha sido criado, então essa é a estratégia de ficção científica por Poe). Todos na cidade, em dado dia, avistam um balão e um homem misterioso que o pilota, o que causa e espanto e admiração.

“Esta circunstância era tanto mais importante quanto era certo que Pfaall desaparecera de Roterdão, com três amigos seus, havia aproximadamente cinco anos, e desaparecera de uma maneira tão súbita e inexplicável que até ao momento em que começa esta história tinham fracassado todas as pesquisas e investigações. É bem verdade que se tinham descoberto recentemente, no extremo este da cidade, algumas ossadas que, a princípio, se tomaram por humanas, entre um montão de escombros, e que alguns tinham chegado a supor que eram os vestígios de um espantoso crime no qual tivessem perecido Hans Pfaall e os seus camaradas. Mas voltemos à nossa narrativa” (p. 25)

Uma carta é deixada antes do balão alçar mais voo e sumir. A carta é de autoria de Hans Pfaall que havia desaparecido há cinco anos, juntamente com alguns de seus credores. Ele conta sobre como construiu o balão, a princípio:

“Estava uma noite sombria quando nos despedimos pela última vez. Levando comigo, como ajudantes de campo, os três credores que tantos desgostos me tinham causado, trasladei o balão com a sua barquinha e os demais acessórios pelas ruas afastadas até ao lugar onde tinha o depósito geral. Encontrei intactos todos os objetos e imediatamente começámos a tarefa”. (p. 28)

Durante o voo, alguns problemas e pequenas explosões matam alguns dos membros do balão, gerando pavor em Hans.

“Resolvi abandonar o mundo, mas continuar a existir; em resumo, para evitar os enigmas: resolvi, sem preocupações, emigrar para a Lua. E para que me não suponham mais louco do que na realidade o estou, procurarei expor da melhor maneira possível as considerações que me induziram a crer factível essa tentativa, por muito difícil e cheia de perigos que se imagine” (p. 30)
O resultado desta viagem é revelado com a convivência com os seres lunares na carta assim relatada
“Ainda me resta muito que falar sobre o clima deste planeta, sobre as suas assombrosas alternativas de frio e de calor, sobre a claridade solar que dura quinze dias, implacável e ardente, e sobre a temperatura glacial ultrapolar que enche a outra quinzena. Não menos interessantes são os 20 dados relativos a uma translação constante da humidade operada por destilação, como no vácuo, desde o ponto situado imediatamente abaixo do Sol até ao mais longínquo. E também o que diz respeito à raça dos habitantes, seus costumes, seus trajos e instituições políticas, a sua constituição física a sua fealdade, a sua falta de orelhas, apêndices supérfluos numa atmosfera tão estranhamente organizada, e portanto a sua ignorância de qualquer espécie de linguagem, e o singular meio de comunicação que substitui a palavra. E os dados que se referem à incompreensível relação que une cada cidadão lunar a um cidadão do globo terrestre, análoga e submetida à que rege igualmente os movimentos do planeta e do seu satélite e em virtude da qual as existências e os destinos dos habitantes de um estão sujeitos às existências e destinos dos habitantes do outro. E, sobretudo, falarei a Suas Excelências dos sombrios e horríveis mistérios relegados para as regiões do outro hemisfério lunar que, graças à concordância quase milagrosa da rotação do satélite sobre o seu eixo com a sua revolução sideral em volta da Terra, nunca apresentou a sua superfície à nossa vista e que — Deus louvado! — não se exporá jamais à curiosidade dos telescópios humanos [...]Tal é o fim da presente carta. O portador, que é um habitante da lua que eu convenci a servir-me de mensageiro e que leva as instruções suficientes, esperará a resolução de Vossas Excelências e trarme-á o perdão solicitado se me for concedido [...]” (p. 43)
Contudo, ninguém acredita nas aventuras de Hans e da morte de seus credores, que aos olhos da sociedade, não passavam de lunáticos e bêbados. Poe encerra o conto dizendo que
“E em último lugar, o que é uma opinião geralmente reconhecida ou que deve sê-lo, que o Colégio Astronómico de Roterdão, tal como todos os colégios astronómicos de todas as partes do Universo, sem falar dos colégios e dos astrónomos em geral, não sabem absolutamente nada do que é necessário”. (p. 44)
Sempre confira no blog da Anna Costa e na página do facebook sobre o projeto 12 meses de Poe- ano II. Tem um video sobre o conto feito especialmente pela Anna. Confira
https://www.youtube.com/watch?v=sh99WD6pZGw

No conto de abril, "A aventura sem paralelo de um tal Hans Pfaall", Poe vai brincar com ficção científica, viagem à lua e vida extraterrestre. Este conto foi de grande influência ao pai do steampunk, Jules Verne. - Anna Costa



Preste atenção nos links para se inscrever e participar


Até próximo mês com mais leituras de Poe!
Abaixo, links importantes extraídos do blog http://blogdoescritor.oficinaeditora.com/2009/
Poe Bicentennial - Baltimore - http://www.poebicentennial.com/index.html
Poe Revealed 1809-2009 – Richmond - http://www.poe200th.com/index.php
The New York Times – Edgar Allan Poe at 200 (Slideshow)
http://www.nytimes.com/slideshow/2009/01/16/books/eapoe-SLIDE-SHOW-01-17-2009_index.html


- BAUDELAIRE, Charles, Sobre a Modernidade. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1996.
Baudelaire and the Arts, Translations: Baudelaire, translator of Edgar Allan Poe
http://dl.lib.brown.edu/baudelaire/translations1.html
- The Literature Network – Edgar Allan Poe
http://www.online-literature.com/poe/
- PEEPLES, Scott, The Afterlife of Edgar Allan Poe. Boydell & Brewer, 2007.
http://books.google.com/books?id=NyEumvZL1QMC&printsec=frontcover
Poe Museum
http://www.poemuseum.org/poes_life/index.html
- Wikipédia – Edgar Allan Poe
http://en.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe
- Wikipédia – Poe’s obituary
http://en.wikisource.org/wiki/Death_of_Edgar_Allan_Poe
- Wikipédia – Rufus Wilmot Griswold
http://en.wikipedia.org/wiki/Rufus_Wilmot_Griswold
- The works of Edgar Allan Poe, in four volumes. Vol I, with Memoirs by R. W. Griswold. New York: W. J. Widdleton, Publisher, 1865.
http://books.google.com/books?id=Cy4CAAAAQAAJ&printsec=titlepage


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