Capítulo 9: A verdade- parte 2

5/17/2017 06:01:00 AM


                “Eu sou o Anjo da visão dela. Eu não usaria o nome “Anjo”, neste caso, mas ela é livre para se expressar do jeito que julgar necessário. O fato é que eu curei a sua mãe adotiva. Eu só queria que você soubesse disso, quer dizer, ainda tenho muito mais para te contar, mas vejo que não é o momento ideal. Você não está emocionalmente preparada para ouvir.” Ele beijou minha testa e fechei meus olhos. Parece que ao sair, ele levou consigo o meu coração. Eu apertei meu peito para sentir se ele ainda estava no lugar. A única opção que restou foi entrar em casa, tendo a certeza de que um pedaço do meu coração acabara de ser roubado por Kasuro.

                “Sahui, onde está o seu amigo da escola? Diga a ele que o almoço já está servido.”

                “Ele estava muito apressado e teve que ir, mas ele agradeceu o convite.” Nem preciso dizer que a comida desceu rasgando minha garganta. Sabe quando você quer chorar e fica engolindo o choro? Ele rasga completamente seu interior, corroendo tudo. Eu não sabia por que, mais eu precisava me encontrar com Kasuro novamente. Onde eu o encontraria? Ele não deixou nenhum endereço, nada que pudesse me dar pistas do seu esconderijo.

                Selene chegou com Dimmy da faculdade. Eles falaram comigo, mas eu não respondi, pois estava no meu mundo da lua, pensando sobre o que Kasuro quis dizer com “Eu curei sua mãe adotiva”. Eles foram almoçar e fazer um trabalho juntos. Decidi descansar em meu quarto, e fui surpreendida com o que estava no meio do lençol da minha cama: tinha um bilhete, num papel cor de prata e uma rosa vermelha.

                “Querida Sahui, precisamos conversar o mais rápido possível. Não há tempo a perder. Me encontre no Kitanomaru Park próximo ao Palácio Imperial de Tóquio. Estarei te esperando. Assinado: Kasuro.”

                Eu nem pensei duas vezes: eu tinha que vê-lo. Na verdade já era um desejo insano mesmo. Então a única coisa que pude fazer foi esperar o tempo passar e que todos estivessem em sono profundo para que eu pudesse escapar.

                Para a minha sorte, hoje Mazareth e Selene resolveram dormir cedo. Foi isso que eu pensei, a princípio. Desci as escadas silenciosamente e quando eu estava fechando a porta, eu me tremi dos pés a cabeça com a voz que eu acabara de ouvir:

                “Ora, ora, ora. Que isso Sahui? A boa menina agora está saindo às escondidas? Você pensava em ir aonde sozinha numa hora dessas?”

                “Que susto você me deu, Selene. Eu preciso conversar com uma pessoa. Eu preciso entender uma história”. Eu disse a verdade, em partes, omitindo de fato, que era a pessoa: o ladrão do medalhão.

                “Não sei... Isso está me cheirando a um rapaz... Quem sabe pode ser um namoradinho, não é? Nossa! Só pode ser!” Enquanto começava a rir com suas formulações, eu pensava o que ela poderia achar da figura de Kasuro se eu dissesse quem é ele na realidade... Talvez Selene pensasse que eu estava louca... Ou que ele é muito mais velho que eu, além de ser um marginal, um ladrãozinho de quinta categoria, um idiota que não soube aproveitar a vida honestamente. Na verdade, eu nem sabia que tipo de instinto ou sentimentos me motivava a tal loucura: a de me encontrar com uma pessoa assim.

                “Não importa. Eu vou com você. Vai que acontece outro roubo, não é?”

                No caminho do Kitanomaru Park, eu sentia o incômodo da presença de Selene, que não parava de tagarelar sobre o quanto a irmandade hoje em dia não vale, só porque eu não confiei nela para contar que estava namorando. Eu comecei a olhar para o céu, que estava muito iluminado. As estrelas brilhavam como se fossem os olhos daquele desconhecido Kasuro.  Selene foi logo comprar um lanche e dei graças a Deus por isso. Só assim, comendo, é que Selene ficava quieta.

                As pessoas passavam de um lado ao outro, e em cada uma delas, eu procurava encontrar o rosto de Kasuro. As horas vagarosamente martelavam o meu coração, e eu já estava pensando em ir embora. Selene já estava meio adormecida, quando de repente eu avisto caminhar entre novas pessoas, o desconhecido que eu esperava.

                Kasuro estava irradiante. Algo me dizia que ele estava divino! Selene despertou de sua sonolência e seu olhar foi de admiração e espanto. Ela olhou para mim incrédula.

            “Oh, deuses! Onde raios de lugar você escondeu esse homem? Nossa, isso é humilhante. Eu, a irmã mais velha é que devia ter um namorado assim...” Eu olhei meio sem graça para Selene (meu rosto de branco, ficou na cor vermelho ardente, que nem meus cabelos) e meu olhar já disse tudo

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