Palestra "A Semiótica como ferramenta de análise do Discurso"

5/27/2017 09:11:00 AM



No dia 17 de maio de 2017, no auditório do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) aconteceu a palestra "A Semiótica como ferramenta de análise do Discurso" com a professora convidada da Universidade Federal de Campina Grande, Maria Nazareth de Lima Arraes. O evento foi promovido pelo Grupo de Estudos GEINCOS e contou com  a participação também de alunos de outras graduações e pós-graduações da referida universidade, os quais curiosos com o tema, prestigiaram a palestra.

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A professora é atuante nos estudos semióticos, tendo a tese de doutorado nesta área: O fazer semiótico do conto popular nordestino: intersubjetividade e inconsciente coletivo disponível no link http://tede.biblioteca.ufpb.br/bitstream/tede/6175/1/arquivototal.pdf

Logo no início de sua fala, a professora Maria Nazareth começou pela definição da Semiótica, que pode ser entendida como "aquilo que representa a nossa vivência, aquilo que buscamos para significar a nossa vida"; ela compõe os estudos dos signos e das leis e linguagens verbais, não verbais e sincréticas, sendo a Semiótica uma Ciência da Significação. Segundo a pesquisadora, na antiga Grécia os médicos utilizavam o termo sintomatologia, como uma busca por entendimento dos sintomas que acometiam os doentes, em uma busca interpretativa de entendimento da doença e do reflexo da mesma sob seus pacientes, para assim diagnosticá-los. Ao britânico John Locke é atribuído o primeiro a usar a expressão semiótica, originária do grego semeion, que significa signo.

Dela se derivam inúmeros outros campos semióticos como a Psicosemiótica, Semiótica das Culturas, Semióticas das Tensões, etc.
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Voltando seu olhar explicativo para a Escola Semiótica Francesa, ponto-chave das discussões da palestra, a professora explica que um de seus maiores representantes é Algirdas Julius Greimas (foto acima), que buscou em sua teoria aspectos que dizem respeito à perspectiva da linguística e do signo, como influenciador os pensamentos de Ferdinand de Saussure, além das ideias do linguista dinamarquês Louis Trolle Hjelmslev (foto abaixo). "A palavra em sua simbologia de uma coisa, não pode ser a coisa [...] Hjelmslev  fala que expressão e conteúdo já teria um viés semiótico e que faria nascer um sentido", assim postula a palestrante. Diferentemente em alguns aspectos linguísticos de Saussure, Hjelmslev acredita que a língua é um sistema de figuras, de signos e não signos (letras, fonemas= figuras). 

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Greimas procura compreender as Ciências Humanas de forma científica, nas palavras de Maria Nazareth, sendo evidente nesta primeira fase o Estruturalismo Radical, segundo o qual alguns pesquisadores encaixam Greimas. A Semiótica Greimasiana se propõe a analisar qualquer linguagem. Sendo assim, um dos conceitos que estão presentes na semiótica como a imagem seria entendido como uma representação de um evento. Como exemplo teríamos a imagem de uma corrida:
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Imagem de uma corrida atuando como representante do evento em si

A Gramática do Discurso seria o percurso gerador de transformações. Nesse processo haveria níveis nos quais, alguns desses níveis poderiam ser listados como: narrativos, discursivos e profundos (aqui residiria uma efetiva análise do discurso). Como parte constituinte desta dinâmica, de signos, objetos, imagens, todos em busca de representações, falas e sentidos interpretativos, teríamos também o Sujeito Semiótico, regido ou determinado por valores, em constante conflito, representando mais de um sujeito, ou seja, em sua singularidade, uma pluralidade desejosa por se fazer participativa no entendimento do mundo ao seu redor.

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A criança como sujeito semiótico (actante) realiza mais de um ato em torno de um só objeto (a bola= desejo)


A professora Maria Nazareth com o exemplo acima ilustrado, ressalta que os percursos como ações rodeadas são formados por diversos objetos dos quais intenta-se atingir o objeto primário (desejo). Esse objeto de valor ao ser atingido, pode perder a estima para o sujeito semiótico, logo este, pode denominar outro objeto como centro de suas atenções e desejos (novos valores no lugar dos antigos). Existe toda uma lógica de manipulações que se aplicam sob o sujeito a fazer ou realizar uma ação. A competência é quando o sujeito adquire o poder e saber no ato de fazer. A performance é a realização. O ator é o próprio sujeito. O palco de busca de significado explicativo é o mundo. O tempo e espaço são determinantes no acontecimento.

Dentro do discurso, observar os elementos linguísticos e extralinguísticos, bem como a oposição de valores da relação sujeito-objeto são outros fatores importantes, pois estabelece as relações de implicações e significações que os atores/sujeitos atribuem aos seus objetos, estes dotados de valores que na semiótica, segundo as palavras da palestrante, são "ideologias olhadas pelas marcas linguísticas, por exemplo em textos verbais ou na figura de elementos, buscar os traços implícitos, um olhar para ambos, verbal e não verbal", no âmbito de uma análise de discurso, pois ainda "subjacente a todo valor existe um contrário, como por exemplo a claridade da sala e a escuridão da sala, o dito e o não dito", finaliza a palestrante.

Um de seus livros é Sémiotique des Passions (1991), praticamente uma de suas obras produzidas antes de sua morte (livro que despertou-me curiosidade).
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