Resenha do livro A sombra de Allan Poe

5/21/2017 01:11:00 PM

PEARL, Matthew. A sombra de Allan Poe. Editora Ediouro. Rio de Janeiro, 2007.

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Comentário inicial: recebi este livro como presente de uma grande amiga, em meu aniversário de 30 anos de idade. Ela é sabedora do meu amor por Poe, e ofertou-me esta obra, até então desconhecida para mim. Não pude deixar de ficar excitada com a proposta, bem como a nota histórica no livro, que revela uma apurada pesquisa histórica para situar a participação dos principais personagens nesta trama. Revelo, que triste uma frustração e uma alegria: o motivo da frustração foi em razão de em 2012, eu desejar escrever uma história desse tipo, só que com uma protagonista feminina, que é assombrada com o fantasma de um desconhecido, que deseja que a mesma busque a verdade de sua morte: nada mais e nada menos, esse fantasma seria Poe... Contudo, minha alegria foi ver que o autor majestosamente fez uma trama digna dos escritos de Poe, e deu uma lapada na ideia que eu tinha de escrever kkkkk... Partamos, pois para a resenha do livro.

Contém spoilers
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Resenha: Época de pedir Hattie Blum em casamento. Mas o ovem advogado de Baltimore, Quentim Clarck, naquele dia, fica perturbado com o enterro que vira e que não saí de sua cabeça. Logo descobre que era o enterro de seu estimado escritor Edgar Allan Poe. Tal enterro, na visão do advogado e fã da obra de Poe era indigno diante do homem que Poe foi, e isso o revolta.

“A literatura deve aprimorar o coração; tais fantasias o aleijam. Era assim que a maioria das pessoas via Poe” (p. 18) – fala de Peter, amigo de Quentin “O mistério genuíno não estava no enigma particular que a morte anseia conhecer; a mente do homem, este era o verdadeiro  e permanente mistério do conto” (p. 19)- fala de Quentin “Eu tinha a fraqueza [...] de desejar que os outros compreendessem tudo que era importante para mim” (p. 21)- fala de Quentin “Em mais uma derrota da luta entre dinheiro e literatura” (p. 22)- fala de Quentin “O jornal permitiria que finalmente os homens de gênios triunfassem sobre os homens de talento, homens que sentem, em vez de homens que pensam” (p. 22)- fala de Quentin

O advogado que já trocara cartas com o escritor, se comprometera em defender o nome e a honra de Poe ainda morto! No 23º aniversário de Hattie, Quentin a pede em casamento.

“Poe escreve em seu conto a respeito de conflito entre a substância e a sombra dentro de nós. A substância, aquilo que sabemos que devemos fazer, e a sombra, o perigoso, o zombeteiro filho perverso, obscuro conhecimento daquilo que devemos, faremos ou secretamente queremos fazer. A sombra sempre prevalece” (p. 56)- fala de Quentin 
O personagem descobre que em Paris reside o verdadeiro detetive com os talentos típicos de Dupin, presente em romances policiais de Poe, e pensa que talvez seja bom conhecê-lo e juntos desvendarem os mistérios por trás da morte de Allan Poe: o senhor Auguste Duponte. Se depara em Paris, com outra figura enigmática: o Barão Claude Dupin. Cada um, terá no final das contas, um motivo particular para ajudar Quentin:

“O verdadeiro analista não queria me ajudar por preço algum, e um charlatão como esse ‘Barão’ estava disposto a fingir que me ajudava por qualquer quantia” (p. 115)- fala de Quentin
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Duponte e Clarck decidem ir aos EUA, pois o Barão anuncia em tal imprensa pariense que será aclamado como herói assim que descobrir as reais circunstâncias que levaram a morte do poeta e escritor Poe.

“Há tanto a ser revelado pelo o que cerca a informação como pela informação” (p. 124)- fala de Duponte

Enquanto isso, o relacionamento com Hattie se fragiliza, Peter o afasta do escritório de advocacia, que está com dificuldades financeiras. As descobertas de Duponte revelam que “Poe chamou por Reynolds repetidas vezes quando estava moribundo. Este Henry Reynolds era um dos juízes eleitorais encarregados de supervisionar a votação no Quarto Distrito que foi realizada no Hotel Ryan, onde Poe foi encontrado” (p. 180). Isso revela uma coincidência ou conexão com esse Reynolds e Poe. Também sobre a viagem à Filadélfia que supostamente teria feito para editar os poemas de Madame Louse, parece que esta viagem não fora feita, visto que em um poema “A sina de um desconhecido”, fala-se do enterro de Poe, onde a poetisa revela que nunca chegou a conhecê-lo pessoalmente.

“A cultura era apreciada desde que viesse acompanhada de conflitos” (p. 197)- fala de Quentin “O verdadeiro Dupin será aquele que convencer o mundo; Duponte será aquele que sobrar” (p. 255)- fala do Barão

Quentin conhece o ex-escravo de Poe, senhor Edwin que fala da lenda sobre a má fama de Poe, que via como uma estratégia de inveja de seus difamadores.

“Os vivos gostam de provar que são melhores que os mortos” (p. 270)- fala de Edwin

Prestes a revelar em uma palestra a real causa da morte de Poe, Duponte é sequestrado pelo Barão, que passando-se pelo inimigo, assume o palco e é impedido por Quentin de falar. Contudo, tiros dados por um desconhecido, levam o Barão ao óbito e Quentin é preso como suspeito.

“Somente por meio da observação do que é errado, é que podemos chegar à verdade” (p. 287)- fala de Duponte

Bonjour, esposa do Barão diz a Quentin que recebeu ordens de libertar o Duponte, mas que o mesmo encontrava-se desaparecido. Suspeitam que inimigos do Barão e do próprio Duponte estejam por trás disso. Quentin foge do hospital da penitenciária onde estava sendo tratado de leve envenenamento, ocasionado por Bonjour para facilitar a fuga de Quentin, e assim ambos buscarem a verdade. Posteriormente Quentin é absorvido de tal crime, visto que aparecem testemunhas e o inocentam. Provavelmente foram bandidos franceses que queriam matar Duponte e mataram o Barão que se disfarçava de Duponte na palestra.

Isso fica esclarecido quando Duponte reaparece e esclarece que o seu sumiço e a morte do Barão era fruto de uma trama de franceses e baltimorianos da família de Luís-Napoleão, que estava no poder na França. Ele se despede de Quentin e a ele atribui a responsabilidade de revelar a causa da morte de Poe.

“Conjecturar é o mais elevado e indestrutível poder da mente humana, uma arte muito mais interessante do que raciocinar ou demonstrar, pois provém diretamente da imaginação” (p. 373)- fala de Duponte

Prestes à falência, Quentin tem a chance de dá um rumo a sua vida contando as verdades por trás da morte de Poe, fruto das investigações ao lado de Duponte, mas não prefere fazer isso. Poe não merecia ser usado como mais um espetáculo para uma plateia de mentes devoradoras e insensíveis.
 “Um homem chamado Edgar Poe morreu em Baltimore um dia, e talvez tenha morrido por ter sido um homem cujo sonhos eram melhores que os nossos ou porque nós o consumimos até que nada sobrou” (p. 388)- fala de Quentin

No final o advogado recebe o reconhecimento de sua sanidade, volta a advogar com Peter, retorna à Vila Eliza, e casa-se com Hattie. Duponte nunca mais foi visto. Bonjour torna-se atriz.

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O escritor Pearl


Nota histórica do livro




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