Resenha do álbum Shades of Humanity da banda Shadowside

8/22/2017 06:02:00 AM

 Capa foi desenvolvida pelo designer Douglas Jen, da Furia Music.

É com imenso prazer que trago para vocês a resenha da banda brasileira de metal SHADOWSIDE, que neste ano nos prestigia com um novo álbum que traz mudanças significativas e amadurecimento. Começo esta resenha falando do meu primeiro contato com esta banda: foi através do álbum Dare To Dream em 2013, quando ouvi a música Wings Of Freedom. O que me chamou a atenção foi com certeza a voz da da Dani Nolden. Pensei: "que voz extraordinária e ao mesmo tempo difícil, mistura raiva e fluidez, preciso pesquisar mais sobre a banda". E foi por meio desse acontecimento que fiquei mais feliz quando descobri que a Shadowside é uma banda nacional, com uma trajetória de resistência e persistência no metal nacional e internacional, destacando-se e deixando suas marcas musicais. Tenho um deslize para bandas com vocais femininos e a voz apresenta muito traços da personalidade de quem canta, a postura, a força, a mensagem. Aliada também aos instrumentos e seus respectivos músicos, que construíram toda a trajetória da Shadowside até agora, voz e melodia nos transportam para véus de mentes e universos desnudos, de embates, mas conquistas de nossos sonhos, verdades, e vencendo os medos que nos prendem em círculo de ilusões e mentiras. Enfim, vamos ao que interessa:


Sobre o álbum:


Shades of Humanity é o 4º álbum de estúdio após cinco anos que a banda estava na ativa com shows ainda do seu último álbum Inner Monster. Foi no ano de 2016, que a banda entrou em estúdio para a produção e gravação do SoH. O álbum foi produzido no estúdio Fredman, na Suécia. Destaque para Magnus Rosén (ex-Hammerfall), que estreia o seu primeiro álbum com banda, além de ter participado do processo de composição de algumas canções.

"SHADES OF HUMANITY resgata algumas influências dos dois primeiros álbuns do grupo THEATRE OF SHADOWS e DARE TO DREAM, e também segue pesado e moderno como o INNER MONSTER OUT, porém mostrando a evolução natural de uma Shadowside mais experiente e determinada a entregar aos fãs um trabalho que demonstra melhor fase de todos os tempos da banda."

ALIVE  foi a música escolhida para ser o primeiro single. E não poderia deixar de ser mais simbólica: Vivo! A banda demonstra todo o entrosamento e poder musical, inclusive é um dos primeiros vídeos publicados no youtube, com mais de 25 mil acessos.

"A faixa que traz uma atmosfera intensa com riffs pesadíssimos e os vocais de Dani Nolden carregados de emoção, alternando entre melodias suaves e a sua potente voz [...] O vídeoclipe foi filmado e produzido em Orlando, Estados Unidos, onde a Shadowside se reuniu com o conceituado diretor Daniel Stilling, conhecido por seus trabalhos no filme Perdido em Marte".
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SoH: Gravado e produzido por: Fredrik Nordström e Henrik Udd (Fredman Studio, Suécia)

Lançamento: 26 de julho - Japão (Spiritual Beast) 28 de julho - EUA e Europa (EMP Label Group) 04 de setembro - Brasil (Furia Music Records).

As músicas 



1. The Fall 

"I tried to come
To terms with this
Violence they breathe
I too have my share of sins

I know I tried my best
To forget about the past
To forgive the harm I know they spread"

Tenho a impressão de que está canção nos introduz a temática abordada durante as dozes canções do SoH.

2. Beast Inside 

"You were brought into this life
A beast you have become
You're perversion glorified
A token of what I most despise"

O homem como ser pensante tornar-se pior do que um animal dito irracional, devido a liberação de uma natureza disposta a machucar o próximo. As guitarras em fúria marcam esta canção.


3. What If 

"What if I could tell you I can feel?
How can I reveal that I do live?
When you cry I wanna dry your tears
If I die, will it end your suffering?"

Confesso que está canção conseguiu prender minha atenção, achei um traço característico da Shadowside que jamais pode ser perdido, que passe anos e anos e você ao escutar, mesmo retirando a voz da Dani, você seja capaz de dizer: Putz, é Shadowside, velho! (Repeti essa música mais de uma vez!) \m/

4. Make My Fate 

"I'm in charge
I can make my own fate
I determine
What to make of my day"

Chega a hora em que você  deve trilhar sua vida e saber que durante o caminho não colherá somente flores: haverá pessoas e pedras no caminho, que vão desejar impedir você de conseguir vencer e alcançar seus objetivos. De que maneira devemos lidar com isso? É apenas uma questão de vontade de construir o seu destino, sabendo que independente do lado escolhido, consequências sempre virão. O destaque para a música é a bateria do Fabio.

5. Insidious Me 

"I hate you and everything that represents you
I want you to scream the night away
I need you to feel the pain I wish upon you
I want you to shout in agony"


Não é uma crítica, mas talvez algumas músicas devessem ter uma introdução maior com os instrumentos antes de entrar a voz da Dani, porque senão fica uma sequência programada, em que cada um sabe quando deve entrar e seguir, sem surpreender quem ouve, já que o mesmo pode estar esperando justamente isso. Nitidamente essa é a música que fala de sentimentos depressivos que podem acometer não só o corpo mas a alma humana. Letra incrível. 

6. The Crossing 

"And my mind travels on
Carrying me home
Back to where the conscience begun
And my soul carries on
I am not gone
You're not alone"

Novamente me deparo com uma música em que tudo se encaixa perfeitamente. Inclusive repeti várias vezes que nem a música número 03 (what if). Perfeitaaaa demais. Me agradou o solo do Raphael, e passou na melodia a vontade de continuar a seguir me caminho, de que realmente não estou sozinho nesta jornada, de superação! \m/

7. Stream of Shame 

"Thousand of miles long
The river that was bursting with life is gone
Thousands left homeless
Innocents buried in mud

Flows the stream of shame
Running as it maims

Don't you see there is no future
Don't you care about
What's left for the children
Don't you know
They will not have a life

[...]

The world is dead
Your money can't be eaten
Your diamond rings and
Fast car have no meaning
When you're sick your
Power won't heal you"

A música que fala do desastre que chocou o país: o de Mariana (MG). Quem trabalha com intersemiótica, está é uma canção digna de uma análise semiótica e de até um trabalho acadêmico. Lembrando das vidas perdidas e da consequência ambiental do mesmo, leva-nos sempre a refletir sobre como contribuímos para o próprio fim da espécie humana na nossa forma como afetamos a Mãe Natureza.

8. Parade the Sacrifice 

"Then we start to wonder if we're wrong again
When they mock the morals we stand for
They just sit and watch you try
While you break down and cry"

Confesso que estou analisando mais o significado das letras. Acredito que não posso "dar pitaco" nos assuntos musicais com mais "força" porque reconheço o tempo que o artista se prepara e gera a concepção musical do seu álbum, é claro com o intuito de agradar o público. Um trabalho desses é nítido que há evolução do Shadowside, especialmente quando começarem os shows e assim pudermos prestigiar algumas dessas músicas ao vivo. O destaque da número 08 vai para o tema  da ambição humana também é questionada nesta canção. Fui transportada para um passado que meu coração reconhece, mas que minha mente não sabe explicar. Muita boa essa música!!!! Exploraram bastante os solos do Rapha! \m/

9. Drifter 

"I was born
To be the one you mourn
Though still alive
One more time"


10. Unreality 

"Now I know I'm in a dream inside your mind
I'm turning it streamlined
Realize you'll wake up under someone's thumb"

Sentimentos como estar vivo e a solidão são questionados na faixa número 09 e 10.

11. Alive 

"Always too proud to move on
Feeling to week to give up
And I know I'll do my best
Although I'll hurt to myself

[...]
I get to know I'm still alive
I know that I - I am a fighter inside
I get to know that I will stay a while

I know who I - who I am deep inside"


Não poderia haver outra música que pudesse se destacar como vídeo clipe como "Alive". Uma resposta humana mesmo diante de todo esse conturbado mundo e sentidos de existência: mesmo aos tropeços, ainda estamos vivos, pretendemos continuar vivos, até que nos seja retirado o último respirar, crendo que a raça humana pode enfim, em um dado espaço de tempo, realmente EVOLUIR! \m/

12. Haunted (Faixa bônus japonesa) 



Por que abordar esses temas?

"O novo álbum traz temas polêmicos e profundos à tona com letras sobre depressão, histórias de superação, aborto, o desastre de Mariana e os valores morais da humanidade, explorando possibilidades musicais de forma muito mais madura e ousada, nunca deixando de lado os riffs pesados de guitarra e melodias marcantes, que sempre foram sua a marca registrada".  

Essas problemáticas desenvolvidas com maestria pela banda nos leva a refletir sobre nossas ações como supostos seres humanos. Estamos cada vez nos desfazendo de nossas verdadeiras essências humanas, como a caridade, a humildade e o amor, e sombras daquilo que fomos, parece nos rondar e tentar mostrar que elas parecem ser a luz para o nosso resgate ao que fomos um dia. O mundo e o homem está cada vez mais destruído, desesperançoso, mesmo diante dos avanços da ciência e da modernidade.



Biografia

"Formada em Santos no ano de 2001, a banda Shadowside tem conquistado fãs de rock e heavy metal ao redor do mundo desde seu primeiro momento nos palcos, e é hoje um dos maiores nomes do heavy metal brasileiro no exterior. O grupo é liderado pela vocalista Dani Nolden, uma das vozes femininas mais potentes e elogiadas do heavy metal atual [...] Desde 2010 a Shadowside tem feito turnês mundiais, tendo passado por 30 países, tanto como atração principal quanto como suporte para bandas lendárias como Iron Maiden, Helloween e W.A.S.P."

Discografia

Shadowside ‎– Theatre Of Shadows


Shadowside ‎– Dare To Dream





Shadowside ‎– Inner Monster Out


Membros atuais:

Dani Nolden (vocal)
Raphael Mattos (guitarra) 
Magnus Rosén (baixo) 
Fabio Buitvidas (bateria) 

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