Capítulo 2- Brincando com minha luxúria

1/22/2018 09:01:00 AM

Na minha cabeça, eu apostava todas as fichas que uma possível transa me aguardava no final deste desafio de desbravar uma floresta sombria. Eu, no entanto, me sentia parecendo com uma múmia egípcia. Em todos os sentidos: fisicamente, sexualmente, espiritualmente... Foi nessa hora que passei uma mensagem de texto para o celular de Tom, pedindo que me aguardasse por mais vinte minutos. Esse tempo seria utilizado para decidir que o melhor era deixar meu cabelo solto e molhado, que eu deveria vestir um sutiã que valorizasse um pouco mais a falta de seios fartos, e que a calcinha ideal seria a que pudesse marcar mais a calça que eu escolhera. Meu corpo parecia vibrar com a ideia maluca de que eu estaria pronta para a minha primeira transa. É claro que nunca, em meus piores sonhos, imaginaria que aquela floresta seria o local escolhido. 

Não percebi que nessas poucas escolhas, o tempo passou rápido. Desci as escadas de maneira tão apressada que quase cai. Foi quando me lembrei que deveria retornar ao quarto e colocar um pouco mais de vida no meu rosto, bem como um batom um pouco mais avermelhado e chamativo. Contudo, assim que me olhei no espelho, vi uma serpente negra ao meu redor. Fiquei em estado de transe, sentindo certa nostalgia, ao mesmo tempo que um sentimento sufocante, e ao mesmo tempo excitante tomava de conta de meu corpo, à medida que a serpente subia e parecia querer entrar em minha calcinha. 

Eu enxerguei no espelho uma mulher em um vilarejo, toda vestida de preto, mas o que realmente chamava a atenção (além daqueles seios fartos que saltavam para fora de seu vestido) era que essa mulher era extremamente parecida comigo. Mas havia algo que era bastante diferente de mim: ela parecia desfilar pela rua tão confiante, tão bela, tão livre e destemida, que eu tive um resquício de inveja dela. Ou seria de uma parte de mim oculta neste espelho?

A serpente negra estava bem à minha frente. Não saberia dizer se estava no ponto de me dar um bote ou de me beijar. A essa hora, não havia o que raciocinar. Se era delírio ou realidade, não saberia explicar. Mas o medo me fez gritar e tentar arremessar a serpente para o mais distante possível de meu corpo. E com isso, bati no espelho e ele se desfez em pedaços. Ao erguer minha cabeça, fui surpreendida por aquela mesma mulher do espelho, aparentemente materializada em minha frente. Ela não ousou fazer nenhuma pergunta, a não ser tocar meus lábios e me beijar. Me perdi com a eletricidade e a profundidade de beijo que parecia violar minha alma. Foi quando Tom entrou abruptamente no meu quarto. Não é preciso dizer o susto que eu tive. Provavelmente da bebedeira de ontem, eu com certeza deixei a porta da frente da casa mal fechada.

"Vamos! Continue. Você estava prestes a me beijar", disse Tom.

"Como você apareceu aqui?", eu falei notadamente constrangida e sem sinal algum da presença de meus pervertidos fantasmas.

"Acho que fiquei assustado. Liguei inúmeras vezes e o tempo passou mais do que você disse na mensagem. Achei por bem vir aqui e encontrei a porta da frente destrancada. Pensei que algo de ruim estava acontecendo com você. Mas com essa cara de excitada, acho que cheguei na hora final de sua masturbação. Mas não sei como, você quebrou esse espelho e tem um corte no pulso que deve ser tratado". Eu gemi quando Tom tocou meu pulso, pois percebi que agora o corte e um vidro enfiado em meu pulso. Como se não bastasse, uma pequena poça de sangue se formara e com certeza teria que trocar a calça jeans sexy por qualquer outra roupa sem graça do meu guarda-roupa.

Após retirar o vidro e fazer o devido curativo, tomei um anti-inflamatório, e enfim me certifiquei do ótimo trabalho de Tom. Acho que ele nasceu com algum dom para a medicina. Estava perfeito. Recebendo como negativa a necessidade de ir a um hospital, pois confiava em seu excelente trabalho, resolvemos ir a nossa aventura na floresta.

"Pensei que você tinha desistido dessa viagem.... Você sabe.... Com aquelas histórias malucas que as pessoas contam, até eu mesmo tive medo. Que esse seja mais um de nossos segredos. Somos o quarteto fantástico, não é? Não podemos deixar Paul e Marrie irem sozinhos. 

FACE OFF - Lush



Wait 
Wait the fall 
Wait the sun 
Always down 

You wait, like time, like sun 
Always down 
Down, always 

Get away with the sunshine 

Wait 
Wait the fun 
Take the gun 
Blow your mind 

Like time, like sun 
Always down 
Down, always 

Get away with the sunshine

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