Entre o amor, a paixão e a ilusão

11/23/2012 05:19:00 AM


Um dia eu pensei que sabia o que era o amor. Defini–o como um sentimento sublime de devoção e de “escravidão”. Naquele tempo eu era tola o bastante para acreditar nessa definição. Talvez o meu instinto romântico fosse o responsável por me transformar num ser completamente submisso a esse sentimento que eu acreditava ser a verdade do mundo, o único sentimento que valia a pena lutar. Não que eu sonhasse com um príncipe encantado das histórias que somos acostumados a ouvir. O que eu realmente acreditava era que o ser humano buscava encontrar aquele que o fizesse sentir completo. Sempre achei que nascemos com uma parte faltante e que o nosso destino era encontrá–la, não obstante os desafios, barreiras e dificuldades que surgissem.
            A felicidade que tanto almejamos estaria no resultado que essa busca culminaria, ou seja, no momento em que nos deparássemos com a criatura que apesar de não ser “perfeita”, despertaria em nós aquele frio congelante, os nossos olhos não poderiam se desviar– ou se desviassem, era para esconder o quão penetrante fora aquele olhar, que chegou a ver a nossa alma nua e carente– o coração pulsaria em um ritmo acelerado– poderíamos jurar que eles estavam prestes a sair pela boca– os nossos lábios contraídos, na verdade queriam libertar palavras perdidas ou frases mal elaboradas diante do impacto daquele encontro, no qual gaguejos ou simplesmente sussurros iriam expor aquilo que de mais íntimo esconderíamos lá no fundo de nossa mente. Poderíamos evitar transparecer a força dominante do amor ou apenas liberá–la através de nossas faces avermelhadas e sorriso meio desajeitado.

            Ah, mas pobre de mim! Mergulhada nesse ideal que moldei em minha mente, me lancei em queda livre, buscando sentir cada sensação diferente romper os limites que eu havia imposto, deixar que o friozinho ou a chama oscilassem em meu corpo... Mas por que as pessoas enganam?, foi o que eu pensei depois de conhecê–lo melhor. Por que meu coração me enganou?, atribuí também a mim a culpa pelo eminente erro. Que decepção! Fui uma romântica sonhadora mesmo...

            Como eu odiei amar. Como eu odiei ser iludida pelos meus próprios sentimentos. E como sofri ao perceber que somente eu senti o fardo desta ilusão. Caminhei rumo ao desconhecido, eu presumi. Eu tinha certeza que eu não sabia o que era o amor. Todos aqueles conceitos, imagens, sonhos, frases poéticas, histórias felizes, tudo se dissipou. Ainda somos capazes de um dia entender o que é o amor? Ainda somos capazes de deixar os olhos de nosso coração nos guiar? E se houver outra decepção? Terei forças para suportar tudo isso? Qual a linha que define o amor da paixão? O amor pode ser um vilão nessa história? Quando o amor acaba, só resta o consolo de que tudo foi uma amarga ilusão, mergulhada no doce sonho de um amor inexistente?
            Sei que são muitas perguntas. E sei que ainda terei algo a mais para aprender. Mas eu fiz uma das lições da vida: descobri que não cheguei a amar ninguém, que tudo aquilo que eu senti se resumiu a um simples desejo, uma faísca do amor, denominada de paixão. E o que sobrou dela foi esse sentimento de engano, que me sufoca por dentro. Vivo entre o amor, a paixão e a ilusão. 

Ass: Lady Black Raven

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