A fórmula do Romance Gótico

1/07/2013 08:51:00 AM





 

Em uma viagem, Alfonso conheceu Vitória, com quem teve uma filha, que não chegou a conhecer, já que ele morrera. Essa filha casou-se com Jerônimo. Portanto, ela era a mãe de Teodoro. Manfred confessa que o seu avó envenenou Alfonso e falsificou um testamento, tornando-se herdeiro seu único herdeiro. De manhã, ele renuncia ao principado e junto com a esposa, tomam o hábito religioso. Depois de muito tempo, Teodoro se convence de que não poderia ser feliz, a não ser unindo sua vida com alguém com quem pudesse partilhar para sempre a melancolia que se havia apossado de sua alma: escolhera Isabela como esposa.


Estrutura do Romance Gótico
Em sua estrutura, apresenta os principais elementos que definem uma história gótica, que são:
*autenticidade: o autor afirma que sua história baseia–se em documentos/manuscritos verídicos coletados em um dado tempo e que por ventura, veio parar em suas mãos. Walpole diz que a história do Castelo de Otranto teve como base um documento datado do século XV. Além disso, um aspecto importante a ser salientado é que Horace no período de 1749 a 1776, mandou construir com sua fortuna arrecadada durante esse tempo, um castelo, o Strawberry Hill, com arquitetura medieval e gótica, atendendo ao seu gosto pessoal. Esse castelo inspirou a caracterização ou construção do castelo de sua história: cheio de passagens, criptas, salas...
 



*o cenário: normalmente, os romances góticos têm como ambientalização, cenários decadentes. Segundo SILVA (2005, p. 185) esses cenários variam entre “castelos, cemitérios, masmorras, florestas desoladas e igrejas antigas”. Na obra em questão, o grande cenário é o castelo (e suas salas, criptas e porões), lugar onde se desenrola as tramas mais mirabolantes; ele é o palco dos segredos obscuros, de manifestações sobrenaturais... A igreja é vista como lugar de refúgio, de proteção contra as tentações humanas ou não. É naquele espaço de paz que Isabela busca o conforto para sua alma amedrontada com as propostas indecentes de Manfred. É claro que também a floresta vem a acrescentar um grau a mais de terror e medo, em virtude de ser o local onde as damas indefesas se perdem em suas entranhas, correndo os maiores riscos de vida. O cemitério também é um lugar bastante recorrente dos romances góticos, e na narrativa de Otanto, ele é o local onde Manfred executa o mais terrível dos crimes: mata sua própria filha ao confundi–la com Isabela.  SILVA (2005, p. 185) acrescenta que “a literatura gótica privilegia ambientes fechados que evocam opressão, tensão e medo”. 

*a heroína: “existe uma moça que apesar de ser vítima dos eventos apresenta uma postura desafiadora” (SILVA, 2005, p. 185) Dois exemplos extraídos dessa história são Maltida e Isabela. Apesar de em alguns momentos da história apresentarem certa submissão ao vilão, Manfred, ambas ao longo da narrativa demonstraram ter essa “postura desafiadora” apontada por Silva. Maltida, mesmo correndo sérios riscos, faz de tudo em nome do amor, inclusive libertar o prisioneiro mais odiado pelo seu pai (Teodoro) e Isabela ao desafiar o tirano príncipe, quando foge duas vezes de suas garras ameaçadoras e conta a sua esposa sobre os planos malévolos do príncipe.

*o aristocrata malvado: “é recorrente a figura de um nobre que fomenta desejos por uma jovem” (SILVA, 2005, p.185) Manfred é a representação crucial desse aristocrata sem escrúpulos e dotado de uma inteligência malévola, capaz de sacrificar qualquer um, para obter aquilo que deseja. Completamente sem sentimentos, Manfred propõe casamento a Isabela, noiva de seu falecido filho, no mesmo dia em que Conrado é morto. Mas suas intenções de desejo por aquela jovem são datadas desde o tempo em que subordinou os seus tutores e arquitetou o casamento com o seu filho doente, sabendo que não lhe restava muito tempo de vida, pensando em desposá–la assim que ele morresse, já que o mais importante era garantir a perpetuação de seu reinado, e sua esposa Hipólita já não podia mais gerar filhos, ou seja, tornara–se estéril. 

*a presença do sobrenatural/maldição/superstições/profecia: “é um dos pontos de suspense na trama; elementos folclóricos também se enquadram na trama.” (SILVA, 2005, p.185) Podemos citar alguns eventos sobrenaturais que assolam o castelo, como espectros demoníacos, visões fantasmagóricas, ventos sussurrantes, mortes, suicídio (o tutor de Conrado, filho de Manfred, cometera suicido no quarto ao lado do local de descanso de Maltida), vozes do além, delírios coléricos (que fez Manfred enxergar Isabela ao lado de Teodoro no cemitério, sendo que era a sua filha Maltida), tudo isso são manifestações do sobrenatural na história. As profecias se apresentam como outro elemento associado ao sobrenatural. Duas profecias ganham destaque na história: a primeira é que só o sangue do verdadeiro herdeiro de Alfonso, O Bom, poderia tranqüilizar o espectro que há muito tempo transitava os dois lados da vida, sem conseguir o repouso eterno, em virtude do segredo que rodeava a vida dos antepassados de Manfred (o seu avó envenenara Alfonso e falsificara o testamento). A segunda profecia era ligada a localização de Isabela. Frederico, seu pai, encontrara um eremita que dissera que onde achasse o elmo encantado encontraria a filha amada. 

*perigo: é o sentimento regente das histórias góticas e suas diversas manifestações constituem o ingrediente chave que gira em torno toda narrativa desse gênero.




Referências:
WALPOLE, Horace. O Castelo de Otranto. Tradução de Alberto Alexandre Martins. Apresentação de Ariovaldo José Vidal. São Paulo: Nova Alexandria, 1996.

SILVA, Alexander Meireles da. Literatura Inglesa para Brasileiros: Curso Completo de Literatura e Cultura Inglesa para estudantes brasileiros. Rio de Janeiro: Editora: Ciência Moderna. 2ª edição, 2005.

Horace Walpole. Disponível em: http://www.spectrumgothic.com.br/literatura/autores/walpole.htm. Acessado em 24 de outubro de 2012.

 

 
 

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