O castelo de Otranto e Walpole

1/07/2013 08:53:00 AM


OBS: essa resenha foi um trabalho feito para a disciplina de Impresso II ;-) Mas o conteúdo tem tudo a ver com o meu blog. E como gosto de compartilhar tudo com vcs, eis este meu trabalho. Espero que gostem....


A fórmula do Romance Gótico
Por: Francisca Raquel

A obra “O Castelo de Otranto” é o marco inaugural do que vem a ser chamado de Romance Gótico ou Gothic Novel. Foi publicado em 1764 pelo autor inglês Horace Walpole e trás em sua narrativa, elementos que constituem ‘a fórmula do romance gótico’. Esses mesmos elementos estão presentes em várias histórias góticas que sucederam a obra de Walpole. Atualmente, “O Castelo de Otranto” já recebeu mais de 150 edições, sendo um dos livros mais aclamados da Literatura Inglesa em virtude de sua importância na disseminação e no ressurgimento dos interesses dos leitores para o romance gótico, na época em que fora lançado.

Como surgiu o Romance Gótico?

                 Em 1760 surgiu um tipo de literatura chamada “Romance Gótico”, que se estendeu até o período de 1820.  A influência do gênero gira em torno das histórias de terror, medo, e fatos sobrenaturais que habitavam a mente dos escritores. Segundo SILVA (2005, p. 185) o gótico “aparece como uma reação da imaginação ao racionalismo e ao moralismo que marcaram o Iluminismo e a literatura neoclássica do século XVIII.”
            O fato é que muito se discute sobre as reais origens do termo “gótico”, mas uma coisa unânime é a derivação de tal palavra, ligada aos povos germânicos, especificamente os godos.
É claro que o Romance Gótico, assim como todo movimento literário, evolui–se a medida que a própria sociedade evolui.  Um exemplo é que o sobrenatural que tanto habitava as histórias, agora se reformula na própria evolução da ciência, tornando–se o novo patamar de segredos e mistérios sombrios. SILVA (2005, p. 185) cita a obra de Mary Shelley, Frankenstein, publicada em 1818, na qual “é a ciência que passa a fascinar e ao mesmo tempo a aterrorizar as pessoas.”
 



Horace Walpole e O Castelo de Otranto

            Horace Walpole nasceu em Londres, na Inglaterra no dia 24 de setembro de 1717. Era filho de Robert Walpole, primeiro ministro inglês e de Catherine. De 1727 a 1734 foi o período de sua educação escolar. Estudou no “King’s College” de 1735 a 1738. Tornou–se membro do parlamento inglês em 1741. No dia 24 de dezembro de 1764 publica o livro The Castle of Otranto. Em 1791 foi nomeado conde de Oxford. E finalmente, faleceu no dia 02 de março de 1797, vitimado por uma crise de gota. Seu corpo foi sepultado em Houghton.

                O Castelo de Otranto, cujo sub–título é “A Gothic Story  é o primeiro livro da literatura universal a utilizar o termo “gótico”. A história é sobre os bizarros acontecimentos que assolam os moradores do Castelo de Otranto. Manfred, o príncipe, deseja casar seu filho Conrado com Isabela. A data escolhida para celebrar essa união é o dia do aniversário do filho. Mas um evento macabro põe fim aos planos de Manfred: seu filho fora encontrado morto e esmagado por um elmo gigante. Sem dar importância a cena, o príncipe fica pensativo e se questionando como surgira aquele elmo, mostrando–se completamente insensível ao ver o “sangue de seu sangue” morto.
                  Um camponês chamado Teodoro que vê tal evento, indaga sobre a semelhança com o elmo da estátua de Alfonso, o Bom, um dos primeiros príncipes de Otranto. Manfred acusa o jovem de ser um mago e causador daquela desgraça que se abateu sobre sua família e manda prendê–lo. Em seguida, chama Isabela para seus aposentos e lhe propõe casamento. Sabendo das reais intenções do malvado príncipe, Isabela foge por uma passagem subterrânea que conduzia até a Igreja de São Nicolau. Mas antes, depara–se com o jovem camponês que lhe ajuda a fugir.
 
                  Ao deparar–se com o camponês naquela cripta, Manfred grita ao ver o fantasma do falecido filho, enquanto um servo se desespera ao ver um gigante vestido com uma armadura. O príncipe ordena que o jovem permaneça no quarto, até que tudo esteja resolvido.
Enquanto isso, o padre Jerônimo vai até o castelo informar sobre o paradeiro de Isabela, que buscou refúgio na igreja, para escapar das tramas de Manfred. Imaginado ser oportuno lançar algumas sementes de ciúme no príncipe, para que este deixasse a pobre Isabela em paz, Jerônimo faz um comentário que leva Manfred a pensar que o camponês e Isabela tinham um “caso”, ou seja, eram amantes.
                Maltida, filha de Manfred e Hipólita, ao ver o camponês que fora chamado para ser interrogado, se assusta com a sua semelhança com o retrato de Alfonso, O Bom. Notando a catástrofe que se aproximara em virtude de sua mentira, Jerônimo acaba descobrindo através de um sinal de nascença em forma de uma seta avermelhada, que o camponês era seu filho perdido. De repente, quando Manfred estava prestes a executar o jovem, ouvem–se um galope de cavalos, um som de uma trombeta e “as plumas do elmo encantado, agitavam–se e aquiesceram três vezes como se uma cabeça invisível fizesse reverência” ao camponês marcado para morrer. Com esses eventos sobrenaturais, Manfred resolve poupar a vida de Teodoro. Neste tempo, um arauto a serviço do Marquês de Frederico diz que deseja falar com o “usurpador de Otranto”, Manfred.

           Na verdade, Frederico, pai de Isabela, havia se engajado numa cruzada a Terra Santa com a morte da mãe dela. Fora prisioneiro e dado como morto durante muitos anos. Aproveitando–se disso, Manfred suborna os tutores de Isabela para que lhe entregasse como noiva de seu filho enfermiço Conrado.
Interrompendo todas as possíveis discussões do momento, Jerônimo informa que Isabela fugira. Os cavaleiros do Marquês Frederico se juntam a Manfred e aos monges para procurar a moça. Aproveitando essa ocasião, Maltida dirige–se a torre e liberta o jovem Teodoro, equipando–o com uma armadura. Ao saber do sumiço de Isabela, por quem se apaixonara na primeira vez que a vira, Teodoro parte para a floresta em sua procura. Ele luta contra um cavaleiro que pensa ser a serviço de Manfred, mas depois descobre que ambos tinham o mesmo propósito: proteger a princesa.
        Ferido e agonizando, o cavaleiro ferido por Teodoro trata–se, pois, do pai de Isabela, Frederico. Isabela, que a tudo presencia, fica inconsolável. Atendido rapidamente por médicos, Frederico fica fora de perigo. Enquanto se recupera, ele confessa que quando conseguiu fugir dos soldados que haviam aprisionado–o, encontrou um eremita que lhe revelou um segredo. Seguindo aquelas pistas, deparou–se com uma enorme espada com os seguintes versos: “Onde achar o elmo que com esta espada condiz, rodeada de perigos encontrará a filha amada. Só o sangue de Alfonso pode salvá–la e acalmar o espectro que há tanto tempo ronda inquieto”. Ao ver Teodoro equipado com a armadura, Manfred se assusta ao notar a semelhança com Alfonso.

        Matilda e Isabela, antes grandes amigas, estavam agora com amizade abalada por amarem o mesmo homem: Teodoro. Hipólita queria a união das famílias, e por isso, entregou a mão de Matilda a Frederico. Isabela desabafa para Hipólita sobre o plano de Manfred, mas ela é muito submissa ao marido e seria capaz de sacrificar sua própria felicidade em troca da felicidade do marido. Frederico, encantado com a proposta de casamento com Maltida, não faz objeção a ceder a mão de sua filha ao tirano príncipe e vai ao quarto de Hipólita para convencê–la do divórcio, porém depara–se  com um espectro esquelético trajando um longo capote de lã. O espírito pediu para que Frederico esquecesse Matilda.

      Enquanto isso, um servo informa a Manfred que naquele exato momento, Teodoro estava com uma moça em frente ao túmulo de Alfonso. Ao chegar lá, o príncipe saca sua adaga e enterra no peito da jovem, que pensava ser Isabela, mas era sua filha Matilda, que suspira e morre. Um trovão sacudiu o castelo, a terra tremeu, ouvia-se o ruído de armadura, paredes do castelo desabaram e surge o espectro que diz: “Este é Teodoro, o legítimo herdeiro de Alfonso”. Abriu-se um clarão no céu e surgiu o vulto de São Nicolau. O espectro de Alfonso ascendeu solenemente junto ao céu.
 

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2 comentários

  1. Trabalho muito bom! Só uma coisa, nele está escrito "Ao saber do sumiço de Isabela, por quem se apaixonara na primeira vez que a vira, Teodoro parte para a floresta em sua procura", quando na verdade Teodoro se apaixonou foi por Matilda. No fim, ele acaba se casando com Isabela por ser ela a única que entenderia sua dor (pela morte de sua amada).

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  2. Valeu ai pela observação! Sinta-se a vontade para navegar nessas páginas!;-)

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