Capítulo 12: Ordinárias palavras

3/17/2015 08:41:00 AM

"Me perdoe, Lindsay, me perdoe!", dizia Wanessa horrorizada ao ver meu corpo sendo retirado da piscina.

"O que nós fizemos?", lamentou Marx. 

"Ela está morta e ponto final! Nossas lágrimas não a trarão de volta. Ela decidiu fazer isso por livre e espontânea vontade...", falou Carol, sem demonstrar um pingo de remorso. 

"Você não viu o semblante tão sereno dela? Seus olhos... aqueles olhos diziam o contrário... Nos acusavam! Além da carta. Quer prova maior de nossa culpa?"

"Todos na escola que nos acusaram devem ser chamados de hipócritas... agora mesmo estavam todos rindo da cara dela e agora choram? Quanta falsidade... e ainda nos acusam? Eles também são tão culpados quantos nós. Eu não vou ficar como você e Marx, fingindo que sente pena dela.... Ninguém a matou ou apontou uma arma na cabeça dela e disse: 'Se mata, otária!'. Ela fez isso porque quis... porque a vida dela é uma merda mesmo. Eu não tenho culpa disso..."

"Você é um demônio mesmo. Como pode ser tão má, Carol? Quer saber de uma coisa? Acabou! Nossa relacionamento definitivamente acabou!", falou Marx. "Você não demonstra respeito ou piedade pela ama dela. No fundo, Lindsay valia muito mais do que todos nós."

"Eu concordo com você, Marx..."


"Ninguém concorda com porra nenhuma! Eu lamento profundamente o que aconteceu... Sério.... Não parece, mas eu tenho um coração, ok? Agora só não vou ficar deprimida, chorando pelos cantos por ela. Se por acaso, Lindsay pensou que nos acusando de bullying, preconceito, ou sei lá mais o que, nos afria sentir culpa pela ação que nós cometemos, lamento, mas secamente foi em vão. Temos que seguir em frente e conquistar facilmente o amor e confiança de quem vale a pena: nossos colegas!"

"Você quer dizer seus supostos subordinados, capachos, escravos, seguidores. Me poupe, Carol".

Marx foi embora transtornado com o rumo da conversa. Se arrependimento matasse, ele estaria a sete palmos debaixo da terra. Como Carol dizia tais coisas, já que estivera lá, naquele exato momento, em que Marx gritou para que eu não fizesse o que já estava decidida a fazer. Se ela pudesse ver o sofrimento se abater sob o meu pai, ao tomar nos braços o corpo adorável e sensível de sua estimada filha morta, com certeza teria se arrependido de tais palavras. 

Por mais que no futuro negasse, os pesadelos constantes eram a prova de sua consciência pesada...


***

Aquela noite eu tive a certeza de que gostaria de estar para sempre nos braços de Brandon. Independentemente dele achar que eu era a sua adorada Lindsay, eu o desejava mesmo assim, de forma tão ardente... Eu estava no corpo certo: um corpo que não tinha traços provocadores, mas uma inocência flamejante, um corpo aparentemente saudável, mas ao mesmo tempo fraco, no quesito proteção. Eu tinha os olhos do amor e não aqueles que clamavam á todo custo por uma ordinária luxúria, envolta no capricho de tê-lo só para mim, afinal de contas, o destino me permitiu está ao lado do homem que eu tanto amei.


Ass; Lady Black Raven.



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