Feliz Dia Dos Namorados? Ou #EternasAlmasQueSeEncontram? Ou #CrônicasDeUmaEternaAlmaSolitária?

6/13/2015 05:56:00 PM


Todos os anos, há uma data em especial que me assombra e me perturba os mais solitários pensamentos de uma transeunte que sentia-se esquecida pela vida: dia 12 de junho de todos os anos.

O comércio movimenta-se em prol da pseudo-louvação do eterno casal de amores e votos de amor por toda vida; a mídia explora essa temática em todos os sentidos, e não permite você nem sequer respirar; amigos (as) (xs) chegam de mansinho com a pretensão de sondar uma opinião minha, a respeito do melhor presente para seu parceiro (a) (x); a família pergunta "onde está seu príncipe encantado?" (opção a: provavelmente ele é um sapinho- opção b: ele ainda está chegando montado em seu cavalo branco; opção c: ele desistiu de mim no meio do caminho: opção d: ele ainda não reencarnou nessa vida, e opção e: ele não existe); homenagens são feitas em redes sociais ou naquele famoso carro de som de mensagem, com cesta de café da manhã, flores e aquela pelúcia fofa (poxa vida, eu desejo tanto aquela pelúcia!!!)...


Preces e mais preces são elevadas aos céus, especialmente ao Santo Casamenteiro, o senhor Antonio :); simpatias e crendices me deixam frustadas com seus anti-resultados positivos, e mais uma vez eu me lembro de quando era adolescente (não aborrecente) e tinha que me conformar com as gozações de meus "colegas de classe do ensino médio" (arqui-inimigos declarados do Salém) que praticamente ou metaforicamente me diziam que eu seria um patinho feio esquelético a mercê da solidão.

Coitada de mim. Anos sendo escravizada e violada pela solidão... Seria tão difícil assim sobreviver? Poderia eu fingir que no peito, não havia um coração romântico? I M P O S S Í V E L ! ! ! 

Então eu partia para o plano B: fantasiava sobre os casais de filmes românticos. Eu imaginava estar naquela situação de que a espera sempre lhe rendia uma boa recompensa e de que valia a pena sofrer por amor. Um dia, ele ouviria suas preces e estenderia sua misericórdia a você. Com o tempo e decepções, passei a odiar comédias românticas e a amar dramas românticos. Porque em meu arco íris predomina o luto de perder sempre o amor... de não ter vivido o amor... de nunca ter chegado a realmente amar... e de provavelmente estar caminhando rumo ao meu fim, sem amor...

Senti paixonites por pessoas erradas, que imortalizaram o platonismo em minha vida (deveria virar algum estudo ou campo científico de conhecimento humano)... Novamente amargurada, lançava-me em braços invisíveis de todos aqueles que julgava amar. Mas nenhum deles teve força suficiente de me segurar. Cai no chão. Chorei. Urrei. Doeu. Vivi...

Eu iria morrer por-ou-de amor? Não!!! Deveria dar a volta por cima. Olhar quantos relacionamentos realmente amorosos eu construí na vida e que valem mais do que uma suposta relação estável e sem traição (ah tá, jura!!!): eu firmei laços afetivos com aquilo que me devolvia o prazer de viver (a poesia, a literatura e a música... e descobrir três "amantes escritores mortos quentes" hahaha), com minha família, com meus amigos, com meus aliados em minha carreira profissional, com os animais (a natureza é linda e acolhedora :)). Descobri o amor a todos, a entrega a todos, e o sentimento de ser livre que só o verdadeiro amor pode proporcionar...

Continuo sozinha sim! Mas esse foi o melhor dia dos namorados que eu já tive em toda a minha vida, porque como dizia meu amado Oscar Wilde "AMAR A SI PRÓPRIO É O COMEÇO DE UM ROMANCE PARA TODA A VIDA". :D

  • Share:

You Might Also Like

0 comentários