A BUSCA DE UMA EXPERIÊNCIA COM DEUS ATRAVÉS DA MEDITAÇÃO E DEVOÇÃO

8/20/2015 09:37:00 AM

*resenha do filme e do livro Comer, Rezar e Amar no tempo em que cursei Jornalismo

Raquel Alves

                Este trabalho tem como finalidade, discutir as trajetórias e meios utilizados pela personagem de uma história real, Elisabeth Gibert do livro Comer, Rezar e Amar, para vivenciar uma experiência com Deus. O livro já mencionado é uma obra bastante aclamada pela crítica com mais de quatro milhões de cópias vendidas pelo mundo.

                A princípio, destaca–se o termo religião (já que nota–se uma influência desse tema na obra em questão, especificamente do Budismo e Hinduísmo) que é uma manifestação de uma crença, difundida através de seguidores que utilizam como base, livros sagrados, mandamentos, figuras simbólicas. Independente de qual religião, esses mesmos seguidores e adeptos, buscam seguir os princípios ditados pelo líder espiritual, ou seja, imitar aquele modelo de vida e devoção, baseado num sistema de regras pelas quais giram em torno de um único objetivo: Deus ou qualquer outro nome referente a um ser supremo, conforme citação abaixo, 

[...] Toda religião do mundo tem um ramo de devotos que buscam uma experiência direta e transcendente de Deus [...] Em geral, sua união com Deus acontece em um estado de meditação, e é possibilitada graças a uma fonte de energia que inunda o corpo inteiro [...] Lembro-me de [...] que o meu caminho da devoção provavelmente seria mais intelectual do que esotérico. Eu rezaria, leria livros, teria pensamentos interessantes [...] (conta 46, p. 106)

 ( a atriz Julia Roberts interpreta a autora Elizabeth Gilbert no filme)
              O livro é dividido em três capítulos referentes aos três países que Elisabeth viajou e dentro de cada capítulo há subdivisões em 36 contas, que são justificadas e ligam–se diretamente a uma espécie de “terço”, chamados de Japamalas, objeto utilizado para a concentração na meditação, que contem 108 contas e uma conta maior que significa a divindade.

              Em suma, a história aborda a trajetória de um ano vivenciado pela escritora e jornalista Liz, uma jornada por três países– Itália, Índia e Indonésia– que conseqüentemente revelam um aspecto ou característica própria da protagonista, ou como ela mesmo definiu e foi retratado no filme “A Física da Busca”, que demonstra como a pessoa pode descobrir a verdade que tanto procura na vida, o significado de sua própria existência.

Se você tiver coragem, largue tudo que é familiar e confortante, e saia em busca pela verdade, seja ela interna ou externa. E se estiver preparada para enfrentar e perdoar realidades difíceis, a verdade não será retirada de você.


          Liz é uma católica não praticante e a 1ª vez que ousou se dirigir a Deus (uma das mais marcantes experiências com Deus) foi no dia que estava no banheiro. Clamando por uma ajuda divina, ela pede auxílio e alívio para dor que consumia o seu ser e principalmente que se manifeste em algum sinal. Ela escutou a voz interior que disse “Volte para cama”, afastando aqueles fantasmas e maus pensamentos que pairavam em seu espírito conflituoso e abalado por uma crise de identidade e por um casamento que provavelmente estava chegando ao fim.

 (a verdadeira Elizabeth Gilbert, autora do livro)
              Depois de um turbulento divórcio, e de uma crise depressiva, ela resolve abandonar sua estabilidade, em troca de se aventurar em novos horizontes, em viver novas experiências e descobertas, em buscar um significado para a sua real existência no mundo. Em 2003, viaja para Roma (Itália) e descobre o prazer de se aprender uma nova língua, estudando na renomada Academia de Estudos de Idioma Leonardo da Vinci “O italiano é a língua mais bela e sedutora do mundo” (p. 35). Ela também se delicia com a culinária local, chegando até a engordar alguns quilos. Liz faz novas amizades e descobre a alegria de viver, apesar de vez em quando ter algumas recaídas devido ao seu conturbado passado. A respeito dessa experiência, Liz diz


[...] os americanos são dotados de uma incapacidade de relaxar e se deixar levar pelo simples prazer [...] muitos americanos se sentem mais felizes e realizados em seus escritórios do que em suas próprias casas [...] A quantidade de prazer que derivei desse comer e falar foi incomensurável e ao mesmo tempo tão simples [...] (conta 21, p. 47-49)


               Enfocando a questão religiosa na obra, principalmente na Índia, durante várias passagens ela discorre sobre como meditar, a importância atribuída a esta prática, a função dos cânticos de louvores à divindades...  Segundo a psicologia budista, a mente humana se compõem de duas partes: uma superficial, que é formada por nossos sentidos e a outra é a profundeza de nossas mentes, que são tranqüilas e imóveis, sendo o objetivo da meditação acalmar a superfície perturbada. Ela sente uma grande ânsia por buscar uma experiência com Deus, por isso parte para a Índia.

        Naquele país, passa a se dedicar a devoção e meditação, ou seja, através dessas práticas, alimentar o espírito e assim, criar um elo com o divino. A princípio sente muita dificuldade ao meditar, pois está atolada e atordoada por inúmeros pensamentos que impossibilitam a concentração, para que possa conseguir construir essa conexão com Deus. Liz freqüenta um templo conhecido como “ashram”, local onde os fiéis adoram um guru, que no hinduísmo é um mestre que reúne discípulos e os introduz na vida espiritual. Mesmo depois de tanto tempo, Liz continua assombrada com o fantasma de David e nesses momentos de intensos conflitos pessoais, ela encontra em um colega, o Richard do Texas, um amigo que através de seus conselhos e trocas de experiências, ajuda Liz a entender a si mesma, a aprender com os seus erros, a deixar o coração aberto para novos amores, a não ser uma prisioneira de seus receios e sentimentos.
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                  No budismo e no hinduísmo, as pessoas utilizam os Mantras, que são orações que os fiéis pronunciam para alcançar um estado de meditação ideal e que ajuda na concentração. No livro Liz descreve sobre uma técnica budista utilizada para ampliar a meditação, chamada de Vipassana, que parte do princípio de observar o funcionamento da mente do indivíduo, a moldagem de seus pensamentos, na qual o praticante permanece parado em uma certa posição, que depois de muito tempo, incomoda. Esse “incômodo” é a chave–mestra dessa prática, pois esse incômodo é manifestado em várias situações de nossa vida e se não aprendermos a lidar com este desconforto, sempre nos esquivaremos de nossos problemas, sem nunca ousar resolvê–los.

                  A autora enfatiza a questão da devoção, da fé e Deus, definindo e interligando os pontos que constituem o significado de cada um e relacionando–os à nossa vida e como nós devemos acreditar nessa força suprema que dá o verdadeiro sentido a vida, manifestada nas pequenas coisas. Toda manhã, antes de meditar, Liz mantém uma conversa com Deus, que chega a durar alguns minutos, mas possuem um significado imenso em sua vida. Apesar de fazer uma prece aos céus, ela tem consciência que parte da realização desse pedido partirá de seus próprios passos, ou seja, que ela também é uma agente na busca por uma graça e que se ela não se permite buscar ou lutar por aquilo que acredita, o trabalho de Deus estará perdido. Também descobre no silêncio, uma arma poderosa para aquietar a alma. Da índia, Liz levou consigo boas recordações e ensinamentos, que influenciaram no modo como ela vê a si mesma.
               Há algum tempo atrás, a trabalho, Liz conheceu Ketut Liyer, um xamã, “espécie de sacerdote que recorre a forças ou entidades sobrenaturais para realizar curas, adivinhações, exorcismos, encantamentos” (AURÉLIO, 2004, p 760). Ketut vivia em Bali, Indonésia. A ele, confessa esse desejo de entender e conhecer Deus, que lhe aconselha a ver o mundo através do coração, para que assim consiga enxergar Deus. E na volta à Indonésia, o último país de sua viagem libertadora, ela permite que o amor faça parte de sua vida novamente. Ela conhece o brasileiro Filipe, com que compartilha momentos de felicidade, em meio algumas dúvidas que ainda insistem em permanecer em sua mente e em seu coração. Vale destacar no filme uma frase na qual Filipe explica a Liz o que o equilíbrio tem a ver com o amor “Equilíbrio é não deixar que lhe amem, menos do que você se ama”.

             Finalmente, depois de todas essas vivências, conclui–se que a busca por uma experiência com Deus consiste em vê seus em seus erros a oportunidade de aprender, a perdoar a si mesma para que veja o mundo com outros olhos, a deixar que a força do amor reine em seu corpo, mente e espírito, e através da devoção, que é manifestada no amor e na meditação, é que Liz pode abrir portas antes trancadas e se permitir manter um elo com Deus, deixar a divindade residir dentro de você. Assim, ela se libertou dos fantasmas do passado e seguiu em frente, mais confiante e crente que a vida continua, que ela podia se entregar ao amor sem medo de ser feliz.

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

GILBERT, Elisabeth. Comer, Rezar e Amar. A busca de uma mulher por todas as coisas da vida na Itália, Índia e Indonésia. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Dicionário Escolar Aurélio. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 2004.


 

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