Filme O Bicho de Sete Cabeças e a Sociologia

8/11/2015 10:05:00 AM

*texto antigo do tempo em que eu cursei Jornalismo e que gostaria de compartilhar com vocês ;)

ESTUDO DIRIGIDO:
Francisca Raquel Queiroz Alves Rocha[1]
Gleison Martins Ferreira




[1] Alunos do 1º Semestre do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará – UFC.

O filme conta a história de um jovem chamado Netinho, um adolescente rebelde, que teve experiências com drogas (maconha) e bebidas, que passa dois anos num hospital psiquiátrico, local onde também tratava de dependentes químicos. Tudo começa um dia, quando o rapaz deixa cair de sua camisa um cigarro de maconha e a família, desconfiada que o filho é um viciado, o interna na clínica. 

Percebe–se pois o fato social, que é o modo ou maneira de agir, pensar e sentir do indivíduo, como também vemos que a sociedade analisa e julga o indivíduo(e nos leva a questionar outro ponto O que a sociedade faz ou como ela age quando a pessoa é diferente de seus padrões? E aí está um dos inúmeros defeitos da sociedade:a dificuldade de conviver como o que é diferente). O pai preocupa–se com o que a sociedade vai pensar ao descobrir que ele tem um filho “maconheiro”, uma “ovelha negra”, a “desgraça” da família e não prioriza procurar outros meios, como por exemplo uma conversa, um diálogo mais aberto para que o jovem sentisse mais a vontade e pudesse expor os seus receios, dúvidas e questionamentos. 
O pai confia cegamente que a ciência vai salvar o seu filho. Dando continuidade ao filme, Netinho é internando com o propósito de se reabilitar (restaurar à normalidade, ou aos meios próximos dela, de forma e de função do organismo, após um trauma ou doença; recobramento de crédito, de estima ou do bom conceito perante a sociedade. Dicionário Aurélio, 2004, p. 620). Porém, a estrutura social ali presente visa o lucro, ou seja, a verba do governo que em repassada para aquela instituição, onde as pessoas são maltratadas, humilhadas e realmente são tratadas como animais, além de que a finalidade era prolongar o tratamento para que assim eles pudessem ganhar mais dinheiro do governo e da família do doente. 
Nesta parte da história, pode–se discutir a questão dos papéis sociais (função que o indivíduo ou repartições assumem a nível social), mas especificamente o papel do hospício/sanatório retratado no filme como um local que ao invés de ajudar o paciente, faz é piorar o seu estado, o que condiz com a realidade brasileira daquele recinto. Destaca–se a questão do capitalismo, já que quanto mais pessoas estivessem internadas, mais lucro teriam, sem se preocupar com o ser humano, em ajudar o próximo.
A solidariedade ( que é um laço ou vínculo recíproco de pessoas ou coisas independentes; sentido moral que vincula o indivíduo à vida, aos interesses dum grupos social, duma nação, ou da humanidade. Dicionário Aurélio, 2004, p. 683) é substituída pela imoralidade. Depois de sofrer muito, Netinho volta para casa. Ele tenta viver normalmente, mais o trauma daquele lugar ainda o perturba. 
Resultado de imagem para filme Bicho de Sete de Cabeças
A “sociedade” em vez de acolher e ajudar, começa a censurar o jovem (alguns amigos o abandonam porque seus pais não querem que seus filhos andem na companhia de um ex–viciado), uma verdadeira exclusão social. Em uma festa, Netinho bebe demais e completamente descontrolado, é novamente internado e passa por terríveis situações, chegando até a tentar cometer suicídio. Sobre esse tema, Durkheim diz,



“[...] o suicídio é um ato da pessoa e que só a ela atinge, tudo indica que deva depender exclusivamente de fatores individuais e que sua explicação, por conseguinte, caiba tão somente à psicologia [...]”QUINTANEIRO, 2009, p. 83

 
 Resultado de imagem para filme Bicho de Sete de Cabeças

Finalmente o jovem é libertado daquele inferno e encontra–se sentado ao lado de seu pai, que lê uma carta que seu filho havia escrito “Eu não esqueci o que você fez... De seu ato de covardia”.



  • Share:

You Might Also Like

0 comentários